# Exercícios MT2

Questões de exames antigos de Matemática Discreta, com resolução.

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## Quantificadores e tradução

Tradução de prémio para nota 20 a AMAT

Teste 2, 2019/20

Numa situação sobre prémios de alunos, usam-se os predicados (além da identidade $=$):

*   $Aluno(x, y)$: a pessoa $x$ é aluna do departamento $y$;
*   $RecebePremio(x, y)$: a pessoa $x$ recebe como prémio o objeto $y$;
*   $Nota(x, y, z)$: a pessoa $x$ teve nota $y$ na cadeira $z$;
*   $Proprietario(x, y)$: a pessoa $x$ é dona do objeto $y$.

Factos da situação: quem tem nota 20 a Álgebra (ALG) ou a Análise Matemática (AMAT) recebe uma calculadora XPTO; quem tem 20 às duas recebe um portátil ZUPT. Estão inscritos 70 alunos em ALG e 50 em AMAT. A Isabel e o João são alunos do DEI e não tiveram 20 nem a ALG nem a AMAT, mas já têm cada um a sua calculadora XPTO. O Carlos, aluno do DEQ, teve 20 às duas cadeiras.

Qual das seguintes frases em linguagem natural traduz fielmente a fórmula $\forall x\, [\,(Aluno(x, dei) \wedge Nota(x, 20, amat)) \to \exists y\, RecebePremio(x, y)\,]$?

Solução

A tradução correta é: todos os alunos do DEI que tiveram 20 a AMAT recebem um prémio.

A estrutura $\forall x\,(A(x) \to \exists y\, B(x,y))$ lê-se "para todo o $x$ que satisfaz $A$, existe um $y$ tal que $B$". Aqui $A(x)$ é "$x$ é aluno do DEI com nota 20 a AMAT" e $B(x,y)$ é "$x$ recebe o prémio $y$".

*   **Todos os alunos do DEI que tiveram 20 a AMAT recebem um prémio.** O universal percorre os alunos do DEI com nota 20 a AMAT e a implicação garante a existência de um prémio para cada um deles.
*   **Só os alunos do DEI que tiveram 20 a AMAT recebem um prémio.** A fórmula não exclui que outros alunos recebam prémios; apenas garante o prémio aos do DEI com 20 a AMAT.
*   **Pelo menos um aluno do DEI que teve 20 a AMAT recebeu um prémio.** A fórmula exige o prémio para todos esses alunos, não apenas para um.
*   **Quem teve 20 a AMAT recebe um prémio, seja ou não do DEI.** A fórmula restringe a garantia aos alunos do DEI; não afirma nada sobre os restantes.

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Tradução de prémios apenas no DEI

Teste 2, 2019/20

Numa situação sobre prémios de alunos, usam-se os predicados (além da identidade $=$):

*   $Aluno(x, y)$: a pessoa $x$ é aluna do departamento $y$;
*   $RecebePremio(x, y)$: a pessoa $x$ recebe como prémio o objeto $y$;
*   $Nota(x, y, z)$: a pessoa $x$ teve nota $y$ na cadeira $z$;
*   $Proprietario(x, y)$: a pessoa $x$ é dona do objeto $y$.

Factos da situação: quem tem nota 20 a Álgebra (ALG) ou a Análise Matemática (AMAT) recebe uma calculadora XPTO; quem tem 20 às duas recebe um portátil ZUPT. Estão inscritos 70 alunos em ALG e 50 em AMAT. A Isabel e o João são alunos do DEI e não tiveram 20 nem a ALG nem a AMAT, mas já têm cada um a sua calculadora XPTO. O Carlos, aluno do DEQ, teve 20 às duas cadeiras.

Qual das seguintes frases em linguagem natural traduz fielmente a fórmula $\forall x\,\forall y\, [\, \neg Aluno(x, y) \vee \neg \exists z\, RecebePremio(x, z) \vee y = dei \,]$?

Solução

A tradução correta é: todos os alunos que recebem pelo menos um prémio são do DEI.

Por equivalência, $\neg A \vee \neg B \vee C$ é $A \wedge B \to C$. Assim, se $x$ é aluno de $y$ e recebe algum prémio, então $y = dei$.

*   **Todos os alunos que recebem pelo menos um prémio são do DEI.** A disjunção equivale a $Aluno(x,y) \wedge \exists z\, RecebePremio(x,z) \to y = dei$: quem é aluno e recebe prémio tem de ser do DEI.
*   **Nenhum aluno do DEI recebe qualquer prémio.** A fórmula não proíbe prémios no DEI; proíbe prémios fora do DEI.
*   **Todos os alunos que não recebem um prémio são do DEI.** A condição da fórmula é receber pelo menos um prémio, não deixar de receber.
*   **Alguns alunos do DEI recebem um prémio.** A fórmula é universal e não afirma a existência de nenhum prémio.

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Tradução de quem frequenta Programação não frequentar mais nada

Teste 2, 2016/17

Considere a situação da frequência de unidades curriculares por estudantes:

*   $Estudante(x)$: $x$ é estudante; $Curso(x)$: $x$ é um curso; $Uc(x)$: $x$ é uma unidade curricular;
*   $Matricula(x, y)$: o estudante $x$ está matriculado no curso $y$;
*   $Conclui(x, y)$: o estudante $x$ concluiu a unidade curricular $y$;
*   $Frequenta(x, y)$: o estudante $x$ frequenta a unidade curricular $y$.

O José e a Ana estão matriculados no MIEIC e concluíram Matemática Discreta; o Pedro está matriculado no MIEEC e não concluiu ainda nenhuma unidade curricular. O José frequenta Física. A Ana frequenta Física e Programação. O Pedro frequenta Física e Matemática Discreta.

Qual das seguintes frases em linguagem natural traduz fielmente a fórmula $\forall x\, [\,(Estudante(x) \wedge Frequenta(x, prog)) \to \neg \exists y\, (Uc(y) \wedge Frequenta(x, y) \wedge y \neq prog)\,]$?

Solução

A tradução correta é: os estudantes que frequentam Programação não frequentam mais nenhuma unidade curricular.

O existencial negado, $\neg \exists y\, (Uc(y) \wedge Frequenta(x,y) \wedge y \neq prog)$, afirma que não existe outra unidade curricular frequentada por $x$.

*   **Os estudantes que frequentam Programação não frequentam mais nenhuma unidade curricular.** A fórmula proíbe a existência de outra unidade curricular frequentada por quem frequenta Programação.
*   **Se todos os estudantes frequentarem Programação, então não frequentam mais nenhuma unidade curricular.** A condição é por estudante individual, não sobre todos os estudantes em conjunto.
*   **Se algum estudante frequentar Programação, então nenhum estudante frequenta uma unidade curricular além de Programação.** A conclusão da implicação diz respeito ao próprio $x$, não a todos os estudantes.
*   **Todos os estudantes frequentam Programação e mais nenhuma unidade curricular.** A fórmula é uma implicação; não afirma que alguém frequenta Programação.

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## Semântica e validade

Prémio fora do DEI na situação descrita

Teste 2, 2019/20

Numa situação sobre prémios de alunos, usam-se os predicados (além da identidade $=$):

*   $Aluno(x, y)$: a pessoa $x$ é aluna do departamento $y$;
*   $RecebePremio(x, y)$: a pessoa $x$ recebe como prémio o objeto $y$;
*   $Nota(x, y, z)$: a pessoa $x$ teve nota $y$ na cadeira $z$;
*   $Proprietario(x, y)$: a pessoa $x$ é dona do objeto $y$.

Factos da situação: quem tem nota 20 a Álgebra (ALG) ou a Análise Matemática (AMAT) recebe uma calculadora XPTO; quem tem 20 às duas recebe um portátil ZUPT. Estão inscritos 70 alunos em ALG e 50 em AMAT. A Isabel e o João são alunos do DEI e não tiveram 20 nem a ALG nem a AMAT, mas já têm cada um a sua calculadora XPTO. O Carlos, aluno do DEQ, teve 20 às duas cadeiras.

Diga se a fórmula $\exists x\,\exists y\, [\, RecebePremio(x, y) \wedge \neg Aluno(x, dei) \,]$ é verdadeira ou falsa na situação descrita.

Solução

A fórmula é verdadeira na situação descrita.

Basta um exemplo: $x = carlos$ e $y = zupt$ satisfazem $RecebePremio(x,y)$ e $\neg Aluno(x, dei)$, pois o Carlos é do DEQ e teve 20 a ALG e a AMAT.

*   **Verdadeira.** O Carlos é aluno do DEQ e teve 20 às duas cadeiras, logo recebe o portátil ZUPT.
*   **Falsa.** Há pelo menos um aluno fora do DEI com prémio: o Carlos, do DEQ.

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Alunos do DEI com calculadora e sem prémio

Teste 2, 2019/20

Numa situação sobre prémios de alunos, usam-se os predicados (além da identidade $=$):

*   $Aluno(x, y)$: a pessoa $x$ é aluna do departamento $y$;
*   $RecebePremio(x, y)$: a pessoa $x$ recebe como prémio o objeto $y$;
*   $Nota(x, y, z)$: a pessoa $x$ teve nota $y$ na cadeira $z$;
*   $Proprietario(x, y)$: a pessoa $x$ é dona do objeto $y$.

Factos da situação: quem tem nota 20 a Álgebra (ALG) ou a Análise Matemática (AMAT) recebe uma calculadora XPTO; quem tem 20 às duas recebe um portátil ZUPT. Estão inscritos 70 alunos em ALG e 50 em AMAT. A Isabel e o João são alunos do DEI e não tiveram 20 nem a ALG nem a AMAT, mas já têm cada um a sua calculadora XPTO. O Carlos, aluno do DEQ, teve 20 às duas cadeiras.

Diga se a fórmula $\forall x\, [\,(Aluno(x, dei) \wedge \exists y\, Proprietario(x, y)) \to \exists y\, RecebePremio(x, y)\,]$ é verdadeira ou falsa na situação descrita.

Solução

A fórmula é falsa na situação descrita.

Para $x = isabel$ (ou $x = joao$), a hipótese $Aluno(x, dei) \wedge \exists y\, Proprietario(x, y)$ é verdadeira, mas $\exists y\, RecebePremio(x, y)$ é falsa. Logo o universal é falso.

*   **Falsa.** A Isabel e o João são alunos do DEI, têm calculadora XPTO, mas não recebem prémio algum.
*   **Verdadeira.** A implicação falha para a Isabel e para o João, que violam a conclusão.

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Classificar uma disjunção com quantificadores

Teste 2, 2019/20

Classifique a fórmula $(\exists x\, Dodec(x) \to \forall x\, Large(x)) \vee \forall x\, (Medium(x) \to \exists x\, Dodec(x))$ quanto a ser tautologia, válida em lógica de primeira ordem (FO), satisfazível ou não satisfazível.

Solução

A fórmula é válida FO, mas não é tautologia.

Se $\exists x\, Dodec(x)$ é falso, o primeiro membro é verdadeiro. Se for verdadeiro e $\forall x\, Large(x)$ também, o primeiro membro é verdadeiro. Se $\exists x\, Dodec(x)$ for verdadeiro e houver algum objeto não grande, então existe algum objeto médio (esse objeto), e o segundo membro, $\forall x\,(Medium(x) \to \exists x\, Dodec(x))$, é verdadeiro porque $\exists x\, Dodec(x)$ se verifica. A validade usa o significado dos quantificadores, pelo que não é tautologia.

*   **Tautologia.** Abstraindo proposicionalmente, a fórmula é $(P \to Q) \vee S$, que não é sempre verdadeira.
*   **Válida FO mas não tautologia.** Se existir algum dodecaedro e nem tudo for grande, então existe algum objeto médio; nesse caso o segundo membro garante $\exists x\, Dodec(x)$. Se não houver objetos médios, o segundo membro é vacuamente verdadeiro.
*   **Satisfazível mas não verdade lógica.** A fórmula é verdadeira em todas as estruturas, não apenas em algumas.
*   **Não satisfazível.** Há estruturas que a satisfazem, por exemplo um mundo só com dodecaedros grandes.

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Implicação da forma P implica (Q implica P)

Teste 2, 2016/17

Classifique a fórmula $\exists x\, Estudante(x) \to (\forall y\, (Curso(y) \wedge Matricula(ana, y)) \to \exists x\, Estudante(x))$ quanto a ser tautologia, válida FO, satisfazível ou não satisfazível.

Solução

A fórmula é uma tautologia.

Sejam $P = \exists x\, Estudante(x)$ e $Q = \forall y\,(Curso(y) \wedge Matricula(ana,y))$. A fórmula é $P \to (Q \to P)$, que é verdadeira qualquer que seja o valor de $P$ e $Q$.

*   **Tautologia.** Abstraindo proposicionalmente, a fórmula tem a forma $P \to (Q \to P)$, que é sempre verdadeira.
*   **Válida FO mas não tautologia.** A validade já se vê ao nível proposicional, logo é tautologia.
*   **Satisfazível mas não verdade lógica.** É verdadeira em todas as estruturas.
*   **Não satisfazível.** É satisfeita, por exemplo, num mundo sem estudantes.

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## Formas prenexas

Forma prenexa de uma implicação com três blocos

Teste 2, 2019/20

Transforme a fórmula $(\forall x\, P(a, x) \wedge \forall x\,\forall z\, \neg S(x, z)) \to \neg \forall x\, (Q(x, b) \vee R(x))$ numa forma normal prenexa, apresentando a cadeia de equivalências.

Solução

$\exists x\,\exists y\,\exists z\, ((P(a, x) \wedge \neg S(x, z)) \to (\neg Q(y, b) \wedge \neg R(y)))$.

A implicação $A \to \neg B$ equivale a $\neg A \vee \neg B$. Tem-se $\neg \forall x\, P(a,x) \equiv \exists x\, \neg P(a,x)$, $\neg \forall x\,\forall z\, \neg S(x,z) \equiv \exists x\,\exists z\, S(x,z)$ e $\neg \forall x\,(Q(x,b) \vee R(x)) \equiv \exists x\,(\neg Q(x,b) \wedge \neg R(x))$. Juntando e renomeando variáveis para evitar capturas, obtém-se $\exists x\,(\neg P(a,x) \vee \exists z\, S(x,z)) \vee \exists y\,(\neg Q(y,b) \wedge \neg R(y))$, que em prenexa dá $\exists x\,\exists y\,\exists z\,((P(a,x) \wedge \neg S(x,z)) \to (\neg Q(y,b) \wedge \neg R(y)))$.

Confere a tua resposta:

*   A resposta apresenta uma forma prenexa com quantificadores apenas no início.
*   Os quantificadores são $\exists x\,\exists y\,\exists z$ (por esta ordem).
*   O corpo é $(P(a, x) \wedge \neg S(x, z)) \to (\neg Q(y, b) \wedge \neg R(y))$.

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Forma prenexa de uma negação de implicação

Teste 2, 2016/17

Obtenha uma forma normal prenexa da fórmula $\neg (\forall x\,\exists y\, P(a, x, y) \to \exists x\, (\neg \forall y\, Q(y, b) \to R(x)))$, apresentando a cadeia de equivalências.

Solução

$\forall x\,\exists y\,\forall u\,\exists v\, (P(a, x, y) \wedge \neg Q(v, b) \wedge \neg R(u))$.

$\neg(A \to B) \equiv A \wedge \neg B$, com $A = \forall x\,\exists y\, P(a,x,y)$ e $\neg B = \forall x\,(\exists y\, \neg Q(y,b) \wedge \neg R(x))$. Renomeando as variáveis repetidas ($x \to u$, $y \to v$ no segundo bloco), obtém-se $\forall x\,\exists y\, P(a,x,y) \wedge \forall u\,\exists v\,(\neg Q(v,b) \wedge \neg R(u))$, cuja prenexa é $\forall x\,\exists y\,\forall u\,\exists v\,(P(a,x,y) \wedge \neg Q(v,b) \wedge \neg R(u))$.

Confere a tua resposta:

*   A resposta usa $\neg (A \to B) \equiv A \wedge \neg B$.
*   A forma prenexa começa por $\forall x\,\exists y\,\forall u\,\exists v$.
*   O corpo contém $P(a, x, y) \wedge \neg Q(v, b) \wedge \neg R(u)$ (a menos de renomeação de variáveis).

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Escolher a forma prenexa correta

Teste 2, 2013/14 (questões de testes anteriores)

Qual das seguintes é uma forma normal prenexa da fórmula $\forall x\, (\forall y\, (A(x, y) \wedge \exists u\, C(x, u)) \to \exists u\, C(x, u))$?

Solução

$\forall x\,\exists y\,\forall u\,\exists v\, ((A(x, y) \wedge C(x, u)) \to C(x, v))$.

A implicação $A \to B$ equivale a $\neg A \vee B$. Como $A$ está precedido de $\forall y$ e contém $\exists u$, e $B = \exists u\, C(x,u)$ tem de ser renomeado para $\exists v\, C(x,v)$, a prenexa correcta é $\forall x\,\exists y\,\forall u\,\exists v$.

*   **$\forall x\,\exists y\,\forall u\,\exists v\, ((A(x, y) \wedge C(x, u)) \to C(x, v))$.** O antecedente $\forall y\,(A(x,y) \wedge \exists u\, C(x,u))$ passa a $\exists y\,\forall u$ e o consequente $\exists u\, C(x,u)$ passa a $\exists v\, C(x,v)$, com as variáveis todas distintas.
*   **$\forall x\,\forall y\,\exists u\,\exists v\, ((A(x, y) \wedge C(x, u)) \to C(x, v))$.** O $y$ do antecedente fica depois de um universal no prenexo, mas o $\exists u$ interno tem de sair para fora de $\forall y$.
*   **$\forall x\,\exists y\,\forall u\, ((A(x, y) \wedge C(x, u)) \to C(x, u))$.** O $u$ do consequente é um existencial novo e não pode ficar ligado ao $u$ do antecedente.
*   **$\forall x\,\exists y\,\forall u\,\exists u\, ((A(x, y) \wedge C(x, u)) \to C(x, u))$.** A variável $u$ aparece duas vezes como quantificada, o que não é permitido numa prenexa.

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## Consequência lógica e provas

Concluir existencial de R a partir de duas premissas

Teste 2, 2019/20

Será que das premissas $\forall x\, (P(x) \to (\neg R(x) \to \neg Q(x)))$ e $\exists y\, (P(y) \wedge Q(y))$ se pode concluir $\exists x\, R(x)$? Se sim, esboce a prova; se não, apresente um contraexemplo.

Solução

Sim, o argumento é válido: de $P(c) \wedge Q(c)$ e de $P(c) \to (\neg R(c) \to \neg Q(c))$ segue $Q(c) \to R(c)$ (contrapositivo), logo $R(c)$ e portanto $\exists x\, R(x)$.

A contrapositiva de $\neg R(x) \to \neg Q(x)$ é $Q(x) \to R(x)$. Instanciando o universal em $c$ e o existencial numa testemunha $c$ com $P(c) \wedge Q(c)$, obtém-se $R(c)$ por modus ponens duas vezes.

Confere a tua resposta:

*   A resposta diz que o argumento é válido.
*   A prova usa o contrapositivo da primeira premissa, $Q(x) \to R(x)$.
*   A testemunha $c$ de $P(c) \wedge Q(c)$ dá $R(c)$, logo $\exists x\, R(x)$ por introdução do existencial.

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Argumento com contrapositiva em cadeia

Teste 2, 2016/17

Diga se o argumento com premissas $\forall x\, (P(x) \to Q(x))$, $\forall x\, (\neg R(x) \to \neg Q(x))$ e $\exists z\, P(z)$ e conclusão $\exists x\, R(x)$ é válido. Se for, esboce a prova; se não, apresente um contraexemplo.

Solução

O argumento é válido: de $P(z)$ e $P(z) \to Q(z)$ sai $Q(z)$; da contrapositiva de $\neg R(z) \to \neg Q(z)$, que é $Q(z) \to R(z)$, sai $R(z)$; logo $\exists x\, R(x)$.

A segunda premissa equivale a $\forall x\,(Q(x) \to R(x))$. Com a testemunha $z$ de $\exists z\, P(z)$, a cadeia $P(z) \Rightarrow Q(z) \Rightarrow R(z)$ prova a conclusão.

Confere a tua resposta:

*   A resposta diz que o argumento é válido.
*   A prova deriva $Q(z)$ de $P(z)$ e depois $R(z)$ da contrapositiva $Q(z) \to R(z)$.
*   A conclusão $\exists x\, R(x)$ sai por introdução do existencial.

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Contagem de formas não é consequência lógica

Teste 2, 2019/20

Considere a fórmula $\exists x\,\exists y\, (SameShape(x, y) \wedge x \neq y \wedge \forall z\, (SameShape(x, z) \leftrightarrow (z = x \vee z = y)))$. Se se estender a linguagem com uma função $card(x)$, que dá o número de objetos da mesma forma de $x$ (incluindo $x$), será que $\forall x\, (card(x) = 2)$ é consequência lógica da primeira fórmula? Se sim, justifique; se não, apresente um contraexemplo.

Solução

Não é consequência lógica. Contraexemplo: um mundo com dois cubos $a, b$ e um tetraedro $c$.

No mundo proposto, $a$ e $b$ têm a mesma forma e são os únicos com essa forma, logo a fórmula dada é verdadeira. Mas o tetraedro $c$ é o único da sua forma, pelo que $card(c) = 1 \neq 2$, e $\forall x\,(card(x) = 2)$ é falso. Como há uma estrutura onde as premissas são verdadeiras e a conclusão é falsa, não há consequência lógica.

Confere a tua resposta:

*   A resposta diz que não é consequência lógica.
*   O contraexemplo tem dois cubos (por exemplo $a$ e $b$) e um tetraedro ($c$).
*   Nesse mundo a primeira fórmula é verdadeira, mas $card(c) = 1$, logo $\forall x\,(card(x) = 2)$ é falsa.

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## Relações e funções

Propriedades da relação "altura maior ou igual"

Mini-teste 2, 2006/07

Considere, no universo das pessoas, a relação $R = \{(a, b) : altura(a) \geq altura(b)\}$. Diga, justificando, se é reflexiva, simétrica, antissimétrica e transitiva, e classifique-a (relação de equivalência, ordem parcial, ordem total ou nenhum destes casos).

Solução

É reflexiva ($altura(a) \geq altura(a)$), transitiva e antissimétrica, mas não simétrica. É uma ordem parcial, não total, porque duas pessoas com alturas diferentes não são comparáveis nos dois sentidos.

A reflexividade e a transitividade seguem das propriedades de $\geq$ em $\mathbb R$. Se $aRb$ e $bRa$, então $altura(a) = altura(b)$, logo vale a antissimetria. Não é simétrica: basta uma pessoa mais alta que outra. Como há pares não comparáveis (alturas distintas), não é ordem total.

Confere a tua resposta:

*   A resposta diz que é reflexiva, transitiva e antissimétrica, mas não simétrica.
*   A justificação da antissimetria usa o facto de $altura(a) = altura(b)$ quando ambas as desigualdades valem.
*   A classificação correta é ordem parcial (não total).

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Classe de equivalência pela altura

Mini-teste 2, 2006/07

Considere as pessoas João (180 cm), Maria (160 cm), José (175 cm) e Mariana (160 cm) e a relação $R = \{(a, b) : altura(a) = altura(b)\}$. Diga, justificando, se $R$ é relação de equivalência e indique a classe de equivalência da Mariana.

Solução

$R$ é relação de equivalência e $[Mariana] = \{Maria, Mariana\}$.

A igualdade de alturas é reflexiva, simétrica e transitiva, logo define uma equivalência. A classe da Mariana reúne todas as pessoas com a mesma altura que ela, ou seja, a Maria (160 cm) e a própria Mariana.

Confere a tua resposta:

*   A resposta diz que é relação de equivalência (reflexiva, simétrica e transitiva).
*   A classe de equivalência da Mariana é $\{Maria, Mariana\}$.

[Voltar à explicação](https://resumos.rgo.pt/cadeiras/md/conjuntos-relacoes/#rela%C3%A7%C3%B5es-de-equival%C3%AAncia-e-parti%C3%A7%C3%B5es)

Relações binárias em {0, 1}

Mini-teste 2, 2006/07

No conjunto $\{0, 1\}$: (a) quantas relações binárias distintas se podem definir? (b) Dessas, quantas contêm o par $(0, 1)$?

Solução

Há $2^4 = 16$ relações binárias e $2^3 = 8$ contêm o par $(0, 1)$.

Uma relação binária em $\{0,1\}$ é um subconjunto de $\{0,1\} \times \{0,1\}$, que tem 4 pares, logo há $2^4 = 16$ relações. Se $(0,1)$ tem de pertencer, restam 3 pares opcionais, logo há $2^3 = 8$ relações.

Confere a tua resposta:

*   A resposta indica 16 relações binárias no total.
*   A resposta indica 8 relações que contêm o par $(0, 1)$.

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Quais destas funções de R em R são bijeções

Mini-teste 2, 2006/07

Determine quais das seguintes funções de $\mathbb R$ em $\mathbb R$ são bijeções: (a) $f(x) = 2x + 1$; (b) $f(x) = x^2 + 1$; (c) $f(x) = x^3$; (d) $f(x) = \frac{x^2 + 1}{x^2 + 2}$.

Solução

São bijeções $f(x) = 2x + 1$ e $f(x) = x^3$. As outras duas não o são.

$2x+1$ é injetiva e sobrejetiva (inversa $(y-1)/2$). $x^3$ também o é (inversa $\sqrt[3]{y}$). $x^2+1$ não é injetiva ($f(1)=f(-1)$) nem sobrejetiva (imagem $[1,+\infty[$). A rácio $(x^2+1)/(x^2+2)$ não é injetiva (é par) e a sua imagem é $[1/2, 1[$, logo também não é sobrejetiva.

Confere a tua resposta:

*   A resposta indica que $2x + 1$ e $x^3$ são bijeções.
*   A resposta indica que $x^2 + 1$ não é bijeção (não é sobrejetiva nem injetiva).
*   A resposta indica que $\frac{x^2+1}{x^2+2}$ não é bijeção (não é injetiva; a imagem é $[1/2, 1[$).

[Voltar à explicação](https://resumos.rgo.pt/cadeiras/md/funcoes-cardinalidade/#injetiva-sobrejetiva-e-bijetiva)
