# Relatório e demonstração

Ligar afirmações à evidência e preparar uma demonstração que outra pessoa consiga interpretar.

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O protótipo passou os testes de conflitos e sete pessoas concluíram a tarefa sem ajuda no tempo definido. O relatório pode apresentar esses resultados. Não pode concluir que todas as associações irão eliminar reservas duplicadas.

## Afirmação e evidência

Uma afirmação precisa de um âmbito. “O sistema recusa duas reservas incompatíveis” deve indicar a regra e os testes que a verificam. “A tarefa ficou mais fácil” exige evidência com utilizadores e uma definição do resultado. Uma captura do ecrã pode mostrar a interface, mas não prova persistência, controlo de concorrência ou eficácia.

Mantém uma ligação entre necessidade, requisito, decisão técnica, ensaio e resultado. No exemplo, o conflito de reservas motiva uma confirmação que valida e grava a operação em conjunto. O teste de duas tentativas concorrentes observa se ambas ficam guardadas. O relatório explica o resultado, o que falharia numa implementação sem essa proteção e os limites do ensaio.

Essa ligação também governa as correções. Se um resultado corrigido passa de oito para sete sucessos em dez pessoas, a taxa muda de 80% para 70%. Corrige a tabela, a conclusão, o gráfico, o poster e os diapositivos que usem o número. Uma conclusão apoiada no resultado antigo também precisa de ser revista. Guarda a versão final de cada artefacto para que a apresentação e o relatório mostrem a mesma evidência.

## Estrutura do relatório

As diretrizes docentes do relatório, ligadas no site de **2025/26** e sem data interna, propõem uma estrutura adaptável ao projeto ou estágio. O objetivo é permitir compreender o trabalho e conferir os objetivos de aprendizagem, não apenas guardar tudo o que a equipa produziu. Os títulos e o modelo aplicáveis devem ser combinados com o tutor.

| Parte | Pergunta a que responde no exemplo |
| --- | --- |
| Introdução | Quem empresta as ferramentas, qual a dificuldade e que resultado se pretende alcançar? |
| Metodologia e atividades | Como foram recolhidos os requisitos, organizadas as responsabilidades e acompanhadas as entregas? |
| Desenvolvimento | Que regras e restrições orientaram a arquitetura, que alternativas foram consideradas e como funciona a solução? |
| Validação | Que ensaios verificaram as regras e a tarefa com utilizadores, com que resultados e limites? |
| Conclusões | O que foi alcançado, quem contribuiu, o que foi aprendido e o que continua por resolver? |
| Referências | Que fontes sustentam as decisões e afirmações citadas no texto? |

Nas diretrizes, a validação integra o desenvolvimento. Separá-la nesta tabela apenas destaca a pergunta que não pode ficar sem resposta. Uma cronologia ou tabela de progresso pode documentar as atividades, mas não substitui a explicação de uma decisão técnica nem a análise do resultado.

Uma decisão técnica deve mostrar alternativas e consequências relevantes. Se escolheres uma importação manual porque o sistema externo não permite acesso, documenta essa limitação e como se evita perder ou duplicar registos. Listar tecnologias sem ligar cada uma ao problema não explica a arquitetura.

Distingue o trabalho desenvolvido pela equipa de bibliotecas, código anterior e outras contribuições, com referências adequadas. Descreve responsabilidades e colaboração de modo verificável, sem transformar número de commits numa nota individual. Uma pessoa pode ter feito uma revisão ou um ensaio decisivo sem produzir muitos ficheiros.

## Completude, síntese e rigor

As diretrizes distinguem a forma do documento da qualidade do conteúdo. Uma escrita clara, figuras legíveis e legendadas, referências consistentes e uma estrutura equilibrada ajudam a ler. No conteúdo, **completude** exige os pontos necessários para compreender e avaliar o trabalho; **síntese** seleciona informação relevante; **rigor** mantém vocabulário, dados, hipóteses e referências corretos. Acrescentar páginas não resolve uma validação ausente.

Um relatório com quatro páginas de listagem de código e apenas “os testes passaram” na validação ilustra a troca. Retirar a listagem repetida pode abrir espaço para identificar as entradas, os resultados esperados, a versão executada e as falhas encontradas. Uma ligação à versão do repositório conserva o acesso ao código. Um excerto curto continua no relatório quando é necessário para explicar a decisão. Cortar a validação para caber no limite faria perder a evidência que permite apreciar a solução.

As diretrizes indicam **10 a 25 páginas A4**, contando referências e eventuais anexos, mas excluindo capa e índice; admitem português ou inglês, uma coluna e letra de parágrafo até 12 pontos. Recomendam um modelo LaTeX. São instruções do documento consultado, não uma confirmação de requisitos futuros: confere a versão pedida antes de formatar a entrega. Mover quatro páginas do corpo para um anexo não reduz a contagem nesse modelo, porque os anexos contam.

## Contribuições individuais

Para trabalho em grupo, as diretrizes pedem contribuições individuais descritas qualitativamente e em percentagem. As duas descrições devem ser coerentes. Identifica o que cada pessoa concebeu, implementou, reviu ou validou e a relação dessa contribuição com o resultado. Depois acorda como representar a distribuição, explicitando o critério. A percentagem não substitui a explicação nem determina automaticamente uma nota.

Uma declaração de 30%, 25%, 25% e 20% soma 100%, mas a conta só confere a distribuição declarada. Continua a ser preciso justificar o que está a ser repartido. Contar linhas ou commits não distingue uma alteração gerada automaticamente de uma decisão que evitou perder dados. Conserva também trabalho a pares, revisão e contacto com utilizadores, em vez de atribuir todo o resultado a quem submeteu o ficheiro.

As conclusões relacionam resultados com objetivos, limitações e aprendizagem. Se houver uma contribuição para um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, explica o mecanismo e a evidência relevante. Uma associação com uma finalidade social, por si só, não mede o impacto conseguido pelo protótipo.

## Preparar a demonstração

A demonstração pública precisa de uma tarefa compreensível. No exemplo, começa com uma ferramenta livre, confirma um período e tenta outro incompatível. Mostra a recusa e consulta novamente a reserva guardada. O público vê o problema e o comportamento que evita o conflito, em vez de uma sequência de páginas sem relação.

A **feira de 2026**, identificada como edição **2025/26**, previa até 15 minutos por projeto, com cerca de cinco para demonstração e o restante para perguntas do júri. O apoio projetado era o poster ou um slide, sem uma apresentação PowerPoint como formato pretendido. O relatório contém o raciocínio desenvolvido, o poster orienta a conversa e a demonstração expõe o comportamento. Não comprimas o relatório num conjunto de diapositivos e pressupõnhas que esse será o formato da edição atual.

Para ensaiar aquele formato, escolhe um fluxo que caiba nos cinco minutos e permita passar das afirmações do poster ao sistema em funcionamento. Se a confirmação e a recusa demorarem três minutos e meio, sobram cerca de um minuto e meio para situar o caso e tornar o resultado compreensível. Os dez minutos restantes da sessão não são tempo adicional de demonstração: destinam-se às questões. Confirma o formato da tua edição antes de preparar os materiais.

A página de época regular consultada distingue ainda a apresentação dos projetos em equipa, apoiada no poster ou slide, do vídeo curto pedido para estágios. Os entregáveis de uma modalidade não se transferem automaticamente para outra.

Combina com a organização e a orientação o que podes mostrar. Prepara dados fictícios que exercitem os mesmos casos, confirma a versão usada e ensaia no equipamento e rede disponíveis. Se não houver ligação ao sistema externo, identifica a simulação como tal. Não apresentes dados de demonstração como resultados recolhidos no terreno.

Um vídeo de apoio pode explicar o fluxo se o equipamento falhar, mas identifica o que foi gravado e as condições. O vídeo não prova que a versão presente funciona. Guarda um plano de recuperação que mantenha a honestidade da explicação, como mostrar o ensaio registado e dizer qual operação não pode ser repetida ali.

Adapta o detalhe ao público. A um utilizador, explica a tarefa, o estado da reserva e o que fazer após uma recusa. A quem avalia a engenharia, explica também a regra, a decisão de implementação e a evidência. As conclusões e os números mantêm-se; muda o conhecimento necessário para os interpretar.

## Entrega e continuidade

Outra pessoa deve conseguir identificar a versão entregue, instalar as dependências declaradas, configurar o ambiente com valores de exemplo e executar a tarefa demonstrada. O README indica onde agir, os comandos do projeto e o resultado esperado. Confirma os passos a partir de uma pasta nova ou de um ambiente isolado, sem depender de ficheiros que só existem no computador de um elemento.

Deixa decisões, configuração e limites documentados junto da solução. Se uma ferramenta avariada ainda exigir intervenção manual, explica quem faz essa alteração e como o sistema a apresenta. A equipa termina o semestre; a organização precisa de perceber o que pode continuar a usar e manter.

## Exercícios

Rever os artefactos depois de corrigir um resultado

A tabela de um ensaio tem dez participantes. Uma revisão mostra que um dos oito casos inicialmente marcados como sucesso precisou de ajuda, violando o critério de autonomia. O relatório diz 80%, o poster repete o valor e os diapositivos anunciam que a solução serve todos os voluntários.

Que correções tens de propagar? Propõe uma frase para explicar o resultado a um voluntário e outra para a avaliação de engenharia, conservando a mesma evidência.

Solução

Restam sete sucessos em dez, ou 70%. Corrige a tabela e os gráficos, relatório, poster, diapositivos e outras versões exportadas que usem o resultado. Revê também as conclusões: o ensaio não sustenta “serve todos”, com o número antigo ou com o corrigido.

Ao voluntário, podes dizer: “Sete das dez pessoas deste ensaio conseguiram confirmar uma reserva válida sem ajuda no tempo definido; precisamos de compreender as dificuldades das restantes.” Para a avaliação de engenharia, explicita ainda a definição de sucesso, o protocolo e os limites da amostra e da comparação. As duas explicações conservam sete em dez e o mesmo âmbito. Mudar o detalhe não autoriza aumentar a conclusão.

Confere a tua resposta:

*   Corrigi a taxa de 80% para 70%.
*   Revisei as conclusões e todos os artefactos que usam o resultado.
*   Mantive o mesmo âmbito e evidência para públicos diferentes.

[Voltar à explicação](https://resumos.rgo.pt/cadeiras/pi/relatorio-e-demonstracao/#afirma%C3%A7%C3%A3o-e-evid%C3%AAncia)

Preparar uma demonstração com uma dependência indisponível

A organização não autoriza mostrar o seu inventário nem disponibiliza a rede no local da feira. O protótipo pode trabalhar com um inventário fictício. A equipa tem ainda um vídeo gravado de um ensaio anterior e comandos de arranque que dependem de um ficheiro só existente no computador de um elemento.

Escolhe um fluxo demonstrável e explica o que deves declarar ao público. Como preparas a entrega para alguém que não tem esse computador? O vídeo prova que a versão da feira está a funcionar?

Solução

Prepara uma versão identificada com um inventário fictício. Mostra uma ferramenta livre, confirma um período, tenta outro incompatível e consulta a reserva guardada. Explica que o inventário e o acesso externo estão simulados; não apresenta o percurso como uma operação sobre dados atuais da organização.

Declara dependências e configuração no README, com valores de exemplo e os comandos reais do projeto. Substitui a dependência no ficheiro local por uma configuração documentada e verifica os passos numa pasta nova ou num ambiente isolado. Confirma o resultado esperado do arranque e do fluxo demonstrado.

O vídeo pode apoiar a explicação se a execução falhar, identificando a gravação e a versão. Não demonstra que a versão presente funciona na rede da feira. O público deve conseguir distinguir a execução atual da evidência registada anteriormente.

Confere a tua resposta:

*   Identifiquei a simulação sem a apresentar como dados de terreno.
*   Demonstrei confirmação, recusa e consulta persistida com dados fictícios.
*   Indiquei versão, dependências e passos verificáveis na entrega.

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Reduzir páginas sem perder a evidência

Para este exercício, aplica o limite das diretrizes docentes consultadas: 10 a 25 páginas A4, incluindo referências e anexos, sem contar capa e índice. Um rascunho tem 30 páginas: uma de capa, uma de índice e 28 restantes, incluindo referências e anexos. Quatro dessas 28 são uma listagem extensa de código; um excerto que explica a decisão principal já aparece noutra página. A validação ocupa quatro páginas com protocolo, resultados e análise de falhas.

A equipa considera três opções: mover a listagem para um anexo, eliminar a validação ou retirar a listagem e referenciar a versão do repositório. Escolhe uma e calcula a nova contagem sujeita ao limite. Que informação deve continuar no relatório?

Nas conclusões, os quatro elementos declaram 30%, 25%, 25% e 20%, sem explicar as atividades, porque “soma 100%, logo está provado”. Essa conta satisfaz toda a descrição de contribuições pedida nas diretrizes? Que evidência falta?

Solução

A contagem inicial é `30−1−1=28`, acima de 25. Mover quatro páginas para um anexo mantém 28, porque os anexos contam. Retirar a listagem deixa `28−4=24`, dentro do intervalo, conservando o excerto explicativo e uma referência à versão do código. Não se perde o acesso ao artefacto e evita-se uma repetição que não ajuda a apreciar a decisão.

A validação deve conservar protocolo, entradas e critérios, resultados e análise de falhas relevantes. Eliminar essas quatro páginas também daria 24, mas retiraria a evidência necessária para apreciar o cumprimento dos objetivos. Caber no limite não basta para que o relatório esteja completo ou rigoroso.

`30+25+25+20=100` apenas confere a soma da distribuição declarada. As diretrizes pedem também uma descrição qualitativa. Identifica o que cada pessoa concebeu, implementou, reviu ou validou, incluindo trabalho a pares e contacto com utilizadores, e explica o critério da distribuição acordada. A soma não demonstra que essa distribuição corresponde ao trabalho nem permite deduzir uma nota individual.

Confere a tua resposta:

*   Contei 28 páginas sujeitas ao limite e preservei a validação.
*   Expliquei por que mover a listagem para um anexo não reduz a contagem.
*   Distingui uma distribuição que soma 100% de uma descrição justificada das contribuições.

[Voltar à explicação](https://resumos.rgo.pt/cadeiras/pi/relatorio-e-demonstracao/#completude-s%C3%ADntese-e-rigor)
