Conteúdos da cadeira

Princípios de segurança e gestão de risco

Tríade confidencialidade, integridade e disponibilidade, ameaças, vulnerabilidades e matriz de risco resolvida.

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Antes de defenderes um sistema, precisas de dizer o que estás a defender, de quem e contra o quê. Esta página dá-te o vocabulário para isso: três propriedades a proteger, três perguntas para avaliar cada cenário e uma matriz para decidir onde gastar o esforço primeiro.

A tríade: confidencialidade, integridade, disponibilidade

Quase todos os objetivos de segurança cabem em três propriedades, a tríade CIA (confidentiality, integrity, availability).

  • Confidencialidade: só quem tem autorização vê os dados. Parte-se com uma fuga, como a lista de clientes copiada por um ex-funcionário.
  • Integridade: os dados e o sistema não são alterados sem autorização. Parte-se com uma adulteração, como preços modificados na base de dados da loja.
  • Disponibilidade: os utilizadores legítimos conseguem usar o sistema quando precisam. Parte-se com uma indisponibilidade, como o site em baixo no dia de maior faturação.

Repara que cada propriedade pede mecanismos diferentes. Cifrar o disco protege a confidencialidade, mas não impede que o site caia. Cópias de segurança recuperam a disponibilidade, mas não impedem a fuga. Quando analisares um incidente, começa sempre por classificar qual dos três pilares falhou, porque isso escolhe a família de defesas.

Risco, ameaça, vulnerabilidade

Um ativo é o que queres proteger: dados de clientes, o servidor, a reputação da loja. Uma ameaça é quem ou o que pode causar dano: um atacante externo, um funcionário descuidado, uma falha de disco. Uma vulnerabilidade é o ponto fraco que a ameaça aproveita: uma palavra-passe fraca, um programa desatualizado, uma porta aberta. O vetor de ataque é o caminho: um anexo de correio, um formulário Web, uma pen esquecida.

O risco combina a probabilidade de a ameaça explorar a vulnerabilidade com o impacto se isso acontecer:

risco=probabilidade×impacto\text{risco} = \text{probabilidade} \times \text{impacto}

Na prática da cadeira, usa uma escala simples de 1 a 3 (baixo, médio, alto) para cada fator e multiplica. Valores de 1 a 2 são risco baixo, 3 a 4 são risco médio e 6 a 9 são risco alto. O número não é uma medição física, é uma forma de ordenar prioridades com transparência: dois analistas com a mesma tabela chegam à mesma fila de trabalho.

Os mecanismos de segurança são as contramedidas: cifragem, autenticação, permissões, cópias, registos. Cada mecanismo baixa a probabilidade ou o impacto de um risco concreto. Segurança nunca elimina o risco, gere-o até um nível aceitável com o orçamento disponível.

Exemplo: matriz de risco resolvida

Avalia dois cenários da loja em linha com a escala de 1 a 3.

Cenário A: portátil da contabilidade perdido no comboio. O disco não tem cifragem e guarda faturas com dados de clientes. Ameaça: quem encontrar o portátil, por curiosidade ou má-fé. Vulnerabilidade: disco legível por quem tiver o aparelho na mão. Probabilidade média (2): portáteis perdem-se todos os anos. Impacto alto (3): dados pessoais de clientes, com dever legal de notificação. Risco: 2×3=62 \times 3 = 6, alto. Medida: cifragem total do disco. Com o disco cifrado, perder o aparelho continua a custar dinheiro, mas a confidencialidade mantém-se, e o impacto cai para baixo.

Cenário B: SSH com palavra-passe fraca exposto na Internet. O servidor aceita root com uma palavra-passe curta e se encontra numa gama que robôs varrem continuamente. Ameaça: varrimento automático. Vulnerabilidade: autenticação fraca numa conta privilegiada. Probabilidade alta (3): este varrimento chega em minutos, não em dias. Impacto alto (3): acesso total ao servidor da loja. Risco: 3×3=93 \times 3 = 9, o mais alto da matriz. Medida: autenticação só com chaves, conta root sem acesso remoto e firewall a limitar a porta. Cada medida ataca um fator diferente: as chaves baixam a probabilidade de adivinhação para perto de zero.

CenárioProbabilidadeImpactoRiscoMedida
A: portátil perdido2 (média)3 (alto)6 (alto)cifragem total do disco
B: SSH fraco exposto3 (alta)3 (alto)9 (alto)chaves, sem root remoto, firewall

O cenário B resolve-se primeiro. Repara ainda que a mesma pontuação pode esconder histórias diferentes: um 2×32 \times 3 e um 3×23 \times 2 valem ambos 6, mas um pede medidas contra o impacto e o outro contra a probabilidade. A matriz ordena, não decide sozinha: o custo e a rapidez de cada medida entram na decisão final.

Para onde vão estes riscos

Cada risco alto desta matriz transforma-se numa tarefa nas próximas páginas: o portátil perdido motiva a criptografia, o SSH fraco motiva o controlo de acessos e a segurança de redes. Quando estudares cada mecanismo, pergunta a que linha da matriz ele responde.

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