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Centro de massa e momento linear

Centro de massa de sistemas discretos e contínuos, conservação do momento linear e colisões elásticas e inelásticas.

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Um corpo extenso ou um conjunto de corpos move-se de forma complicada, mas há um ponto que se move de forma simples: o centro de massa. E há uma grandeza que, em sistemas isolados, nunca muda: o momento linear. Juntas, estas ideias resolvem colisões sem ser preciso conhecer as forças durante o impacto.

Centro de massa

Para um sistema de partículas com massas mim_i nas posições ri\vec{r}_i, o centro de massa é a média pesada pelas massas:

R=mirimi.\vec{R} = \frac{\sum m_i \vec{r}_i}{\sum m_i}.

Exemplo: duas massas, m1=2,0 kgm_1 = 2{,}0\ \text{kg} em x1=0x_1 = 0 e m2=3,0 kgm_2 = 3{,}0\ \text{kg} em x2=5,0 mx_2 = 5{,}0\ \text{m}. O centro de massa fica em xCM=(2,0×0+3,0×5,0)/(2,0+3,0)=15/5,0=3,0 mx_{\text{CM}} = (2{,}0 \times 0 + 3{,}0 \times 5{,}0)/(2{,}0 + 3{,}0) = 15/5{,}0 = 3{,}0\ \text{m}, mais perto da massa maior, como esperado.

Para um corpo contínuo, a soma passa a integral sobre a distribuição de massa. Não precisamos do cálculo geral aqui, mas o resultado para os casos simétricos é intuitivo: o centro de massa de uma barra uniforme está no seu ponto médio, e o de um disco uniforme está no seu centro. A simetria localiza o centro de massa sem contas.

A propriedade que torna o centro de massa útil: ele move-se como se toda a massa do sistema lá estivesse concentrada e todas as forças externas lá fossem aplicadas, MACM=FextM\vec{A}_{\text{CM}} = \sum \vec{F}_{\text{ext}}. As forças internas cancelam-se duas a duas pela terceira lei.

Momento linear e a sua conservação

O momento linear (ou quantidade de movimento) de uma partícula é p=mv\vec{p} = m\vec{v}, em kg⋅m/s\text{kg·m/s}. A segunda lei escreve-se de forma compacta como F=dp/dt\sum \vec{F} = d\vec{p}/dt: a força resultante é a taxa de variação do momento.

Num sistema isolado, sem forças externas, a variação total é nula e o momento total conserva-se:

pinicial=pfinal.\sum \vec{p}_{\text{inicial}} = \sum \vec{p}_{\text{final}}.

Isto vale mesmo quando as forças internas são desconhecidas ou violentas, como numa colisão ou numa explosão. É por isso que a conservação do momento resolve problemas onde a análise força a força seria impossível.

Colisões em uma dimensão

Considera dois corpos que colidem frontalmente, sem forças externas apreciáveis durante o impacto breve. O momento total conserva-se sempre, mas a energia cinética pode não se conservar:

  • Colisão elástica: a energia cinética conserva-se. As velocidades trocam-se de acordo com as massas.
  • Colisão perfeitamente inelástica: os corpos seguem juntos após o choque. É a que dissipa mais energia cinética.

Exemplo com números: um carrinho m1=2,0 kgm_1 = 2{,}0\ \text{kg} a v1=3,0 m/sv_1 = 3{,}0\ \text{m/s} embate num carrinho parado m2=1,0 kgm_2 = 1{,}0\ \text{kg}. O momento inicial é p=2,0×3,0=6,0 kg⋅m/sp = 2{,}0 \times 3{,}0 = 6{,}0\ \text{kg·m/s} e a energia cinética inicial é K=2,0×9,0/2=9,0 JK = 2{,}0 \times 9{,}0/2 = 9{,}0\ \text{J}.

Se a colisão for perfeitamente inelástica, os carrinhos seguem juntos com velocidade V=p/(m1+m2)=6,0/3,0=2,0 m/sV = p/(m_1 + m_2) = 6{,}0/3{,}0 = 2{,}0\ \text{m/s}. A energia final é K=3,0×4,0/2=6,0 JK' = 3{,}0 \times 4{,}0/2 = 6{,}0\ \text{J}: perderam-se 3,0 J3{,}0\ \text{J} na deformação.

Se for elástica, impõem-se conservação do momento e da energia, o que dá

v1=m1m2m1+m2v1,v2=2m1m1+m2v1.v_1' = \frac{m_1 - m_2}{m_1 + m_2}v_1, \qquad v_2' = \frac{2m_1}{m_1 + m_2}v_1.

Com os números, v1=(1,0/3,0)×3,0=1,0 m/sv_1' = (1{,}0/3{,}0) \times 3{,}0 = 1{,}0\ \text{m/s} e v2=(4,0/3,0)×3,0=4,0 m/sv_2' = (4{,}0/3{,}0) \times 3{,}0 = 4{,}0\ \text{m/s}. Confirma o momento: 2,0×1,0+1,0×4,0=6,0 kg⋅m/s2{,}0 \times 1{,}0 + 1{,}0 \times 4{,}0 = 6{,}0\ \text{kg·m/s}. Confirma a energia: 2,0×1,0/2+1,0×16/2=1,0+8,0=9,0 J2{,}0 \times 1{,}0/2 + 1{,}0 \times 16/2 = 1{,}0 + 8{,}0 = 9{,}0\ \text{J}. Ambas batem certo com os valores iniciais, por isso a resolução está verificada.

Para onde ir

O momento linear governa translações. Para rotações existe uma grandeza análoga: o momento angular, na página sobre rotação de corpos rígidos.

Ver o ficheiro no GitHub

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