Cinemática do ponto material

Posição, velocidade, aceleração, integração do movimento, projéteis e curvatura da trajetória.

TLDR

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Uma bola pode subir, parar por um instante e voltar a cair. Para prever a trajetória, tratamo-la como ponto material: ignoramos o tamanho e a rotação. Este modelo serve para localizar a bola, mas não para estudar como roda sobre si mesma.

A cinemática relaciona posição, velocidade e aceleração sem determinar as forças que causam o movimento.

Medidas e vetores

Uma medida combina valor e unidade. Converte para unidades compatíveis antes de calcular: 72 km/h=72×1000/3600=20 m/s72\ \mathrm{km/h}=72\times1000/3600=20\ \mathrm{m/s}. Na dimensão de uma expressão, [x]=L[x]=L, [v]=LT−1[v]=LT^{-1} e [a]=LT−2[a]=LT^{-2}. Assim, vtvt e at2at^2 podem ser deslocamentos, porque têm dimensão de comprimento; atat não pode.

Escolhe uma origem, eixos e um relógio. O vetor posição é r⃗=xı^+yȷ^+zk^\vec r=x\hat\imath+y\hat\jmath+z\hat k. O deslocamento Δr⃗=r⃗f−r⃗i\Delta\vec r=\vec r_f-\vec r_i liga os extremos da trajetória. A distância percorrida soma comprimentos ao longo dela, ou seja mede o caminho. Ir 3 m3\ \mathrm m para a direita e regressar 3 m3\ \mathrm m dá distância 6 m6\ \mathrm m e deslocamento nulo.

Os símbolos ı^\hat\imath, ȷ^\hat\jmath e k^\hat k são vetores de módulo um nas direções dos eixos. Soma vetores componente a componente. Por exemplo, (3,0)+(0,4)=(3,4)(3,0)+(0,4)=(3,4) tem módulo 32+42=5\sqrt{3^2+4^2}=5, não 77.

O produto escalar u⃗⋅w⃗=uwcos⁡ϕ\vec u\cdot\vec w=uw\cos\phi, com u,wu,w os módulos e ϕ\phi o ângulo entre os vetores, mede uma projeção; o produto vetorial tem módulo uwsin⁡ϕuw\sin\phi e direção perpendicular aos dois vetores, dada pela regra da mão direita. Não substituas vetores por módulos antes de resolver sinais e componentes, porque perdes a direção.

Posição, velocidade e aceleração

A velocidade média é Δr⃗/Δt\Delta\vec r/\Delta t. A velocidade instantânea e a aceleração são

v⃗=dr⃗dt,a⃗=dv⃗dt.\vec v=\frac{d\vec r}{dt},\qquad \vec a=\frac{d\vec v}{dt}.

A rapidez v=∣v⃗∣v=|\vec v| é não negativa. A componente vxv_x pode ser negativa. A aceleração não tem de apontar no sentido da velocidade: se forem opostas num movimento retilíneo, a rapidez diminui.

Por exemplo, x(t)=2+3t−t2x(t)=2+3t-t^2, com xx em metros e tt em segundos, dá vx=3−2tv_x=3-2t e ax=−2 m/s2a_x=-2\ \mathrm{m/s^2}. Em t=1 st=1\ \mathrm s, temos x=4 mx=4\ \mathrm m e vx=1 m/sv_x=1\ \mathrm{m/s}. O corpo ainda vai para a direita, mas abranda, porque a aceleração aponta para a esquerda. Em t=1,5 st=1{,}5\ \mathrm s, a velocidade anula-se por um instante e depois regressa. A posição máxima é x(1,5)=2+4,5−2,25=4,25 mx(1{,}5)=2+4{,}5-2{,}25=4{,}25\ \mathrm m.

Num gráfico x(t)x(t), o declive é vxv_x. Num gráfico vx(t)v_x(t), o declive é axa_x e a área com sinal é o deslocamento. Uma área negativa não é uma distância negativa.

x (m)024,25máximovₓ (m/s)30−301,53t (s)
A linha vertical liga o máximo da posição à mudança de sinal da velocidade.

Lê os dois gráficos em conjunto. O máximo de x(t)x(t) está onde vx(t)v_x(t) cruza zero. Depois desse instante, a área acumulada sob vxv_x começa a diminuir o deslocamento total.

Integrar o movimento

A aceleração determina a variação da velocidade. Para obter a velocidade, precisamos de v⃗0\vec v_0; para obter a posição, precisamos também de r⃗0\vec r_0:

v⃗(t)=v⃗0+∫t0ta⃗(u) du,r⃗(t)=r⃗0+∫t0tv⃗(u) du.\vec v(t)=\vec v_0+\int_{t_0}^{t}\vec a(u)\,du, \qquad \vec r(t)=\vec r_0+\int_{t_0}^{t}\vec v(u)\,du.

Se ax=aa_x=a for constante e t0=0t_0=0,

vx=v0+at,x=x0+v0t+12at2,vx2=v02+2a(x−x0).v_x=v_0+at,\qquad x=x_0+v_0t+\tfrac12at^2, \qquad v_x^2=v_0^2+2a(x-x_0).

A última relação elimina o tempo, por isso serve quando não conheces tt. Não a uses quando a aceleração varia. O quadrado também perde informação sobre o sentido: escolhe o sinal da raiz com a situação física.

Um carro a 20 m/s20\ \mathrm{m/s} trava com a=−4 m/s2a=-4\ \mathrm{m/s^2}. Pára em t=(0−20)/(−4)=5 st=(0-20)/(-4)=5\ \mathrm s. O deslocamento é 20×5−12×4×25=50 m20\times5-\tfrac12\times4\times25=50\ \mathrm m. Pela relação sem tempo, 0=400−8Δx0=400-8\Delta x dá os mesmos 50 m50\ \mathrm m. Estas equações deixam de descrever a travagem quando o carro já parou, porque o modelo de aa constante já não vale parado.

Separação de variáveis

Num movimento retilíneo, escreve a componente com sinal vxv_x. Reserva v=∣v⃗∣v=|\vec v| para a rapidez, que nunca é negativa. Esta distinção evita misturar a equação com sinal com as fórmulas de curvatura, onde vv é o módulo.

Se dvx/dt=−λvxdv_x/dt=-\lambda v_x, com λ>0\lambda>0 em s−1\mathrm{s^{-1}}, separamos as variáveis para vx≠0v_x\ne0. Escreve os limites desde a condição inicial:

∫vx0vxduu=−λ∫0tds⇒ln⁡∣vxvx0∣=−λt⇒vx=vx0e−λt.\int_{v_{x0}}^{v_x}\frac{du}{u}=-\lambda\int_0^t ds \quad\Rightarrow\quad \ln\left|\frac{v_x}{v_{x0}}\right|=-\lambda t \quad\Rightarrow\quad v_x=v_{x0}e^{-\lambda t}.

A condição inicial escolhe o ramo com o sinal de vx0v_{x0}. A solução vx=0v_x=0 também satisfaz a equação diferencial, embora tenha sido excluída pela divisão. Integramos novamente com x(0)=x0x(0)=x_0:

x=x0+∫0tvx0e−λs ds=x0+vx0λ(1−e−λt).x=x_0+\int_0^t v_{x0}e^{-\lambda s}\,ds =x_0+\frac{v_{x0}}{\lambda}(1-e^{-\lambda t}).

Com vx0=10 m/sv_{x0}=10\ \mathrm{m/s} e λ=2 s−1\lambda=2\ \mathrm{s^{-1}}, o corpo aproxima-se de x0+5 mx_0+5\ \mathrm m sem lá chegar em tempo finito, pois a exponencial nunca se anula; a rapidez decai com constante de tempo 1/λ=0,5 s1/\lambda=0{,}5\ \mathrm s.

Ver aceleração que depende da posição

Quando a aceleração depende da posição, a regra da cadeia dá ax=(dvx/dx)(dx/dt)=vx dvx/dxa_x=(dv_x/dx)(dx/dt)=v_x\,dv_x/dx. Por exemplo, ax=−ω2xa_x=-\omega^2x permite integrar vx dvx=−ω2x dxv_x\,dv_x=-\omega^2x\,dx desde (x0,vx0)(x_0,v_{x0}), obtendo vx2−vx02=−ω2(x2−x02)v_x^2-v_{x0}^2=-\omega^2(x^2-x_0^2). A relação descreve os estados acessíveis; para obter x(t)x(t) e os sentidos em cada trecho é preciso completar a análise temporal.

Distância quando a aceleração depende da velocidade

Se a lei dá ax(vx)a_x(v_x) e pedimos uma distância, podemos eliminar o tempo: ax=vx dvx/dxa_x=v_x\,dv_x/dx. Num trecho onde ax(vx)≠0a_x(v_x)\ne0,

Δx=∫vx0vxfvxax(vx) dvx.\Delta x=\int_{v_{x0}}^{v_{xf}}\frac{v_x}{a_x(v_x)}\,dv_x.

Por exemplo, um veículo parte do repouso com ax=a0−cvx2a_x=a_0-cv_x^2, onde a0>0a_0>0 mede-se em m/s2\mathrm{m/s^2} e c>0c>0 em m−1\mathrm{m^{-1}}. Para atingir 0<V<a0/c0<V<\sqrt{a_0/c}, integramos:

Δx=∫0Vua0−cu2 du=12cln⁡(a0a0−cV2).\Delta x=\int_0^V\frac{u}{a_0-cu^2}\,du =\frac{1}{2c}\ln\left(\frac{a_0}{a_0-cV^2}\right).

A substituição z=a0−cu2z=a_0-cu^2 dá dz=−2cu dudz=-2cu\,du. O logaritmo compara duas acelerações, por isso o argumento é adimensional. Quando VV se aproxima de a0/c\sqrt{a_0/c}, a distância diverge: essa velocidade limite não se atinge num trecho finito. Para velocidades pequenas, a expressão aproxima-se de V2/(2a0)V^2/(2a_0), recuperando a aceleração quase constante. Não substituas logo a aceleração inicial numa fórmula de aceleração constante.

Reconstruir a trajetória a partir da velocidade

A velocidade vetorial em função do tempo pode ser separada por componentes. Por exemplo, v⃗(t)=2t ı^+4 ȷ^\vec v(t)=2t\,\hat\imath+4\,\hat\jmath, com unidades SI, e r⃗0=ı^\vec r_0=\hat\imath. Integramos cada componente com a sua condição inicial:

x(t)=1+∫0t2s ds=1+t2,y(t)=0+∫0t4 ds=4t.x(t)=1+\int_0^t 2s\,ds=1+t^2, \qquad y(t)=0+\int_0^t 4\,ds=4t.

Eliminamos t=y/4t=y/4 e obtemos x=1+y2/16x=1+y^2/16, uma parábola no plano; eliminar o tempo é o que distingue a forma geométrica da trajetória das equações horárias.

Projéteis

Sem resistência do ar e com gravidade uniforme, os movimentos horizontal e vertical partilham o mesmo tempo, mas têm acelerações distintas. Com yy positivo para cima,

x=x0+v0cos⁡θ t,y=y0+v0sin⁡θ t−12gt2.x=x_0+v_0\cos\theta\,t,\qquad y=y_0+v_0\sin\theta\,t-\tfrac12gt^2.

Uma bola parte do solo a v0=14 m/sv_0=14\ \mathrm{m/s}, com θ=30∘\theta=30^\circ. Assim, v0x=73≈12,12 m/sv_{0x}=7\sqrt3\approx12{,}12\ \mathrm{m/s} e v0y=7 m/sv_{0y}=7\ \mathrm{m/s}. No topo, vy=7−gt=0v_y=7-gt=0, logo ttopo=7/9,81≈0,714 st_\text{topo}=7/9{,}81\approx0{,}714\ \mathrm s. A altura máxima é 72/(2g)≈2,50 m7^2/(2g)\approx2{,}50\ \mathrm m.

A rapidez no topo continua a ser 12,12 m/s12{,}12\ \mathrm{m/s}, porque só a componente vertical se anulou. A bola não está parada nesse instante e a aceleração não é nula: a gravidade continua a atuar e a rapidez volta a aumentar logo a seguir. Confundir velocidade vertical nula com paragem é o erro que o exercício do topo treina detetar.

Ao regressar à altura de lançamento, tvoo=2v0y/g≈1,427 st_\text{voo}=2v_{0y}/g\approx1{,}427\ \mathrm s e o alcance é 12,12×1,427≈17,30 m12{,}12\times1{,}427\approx17{,}30\ \mathrm m. A fórmula R=v02sin⁡(2θ)/gR=v_0^2\sin(2\theta)/g exige alturas inicial e final iguais.

Movimento curvilíneo

Um versor é um vetor de módulo um que indica uma direção. Num ponto em movimento, t^\hat t é tangente à trajetória no sentido da velocidade e n^\hat n aponta para o centro local de curvatura. A aceleração separa-se em

a⃗=dvdtt^+v2ρn^.\vec a=\frac{dv}{dt}\hat t+\frac{v^2}{\rho}\hat n.

A componente tangencial muda a rapidez, enquanto a normal muda a direção da velocidade; por isso an=v2/ρa_n=v^2/\rho, com vv sempre não negativa. Aqui ρ\rho é o raio de curvatura naquele ponto, não a distância à origem.

Para v≠0v\ne0, podemos calcular at=v⃗⋅a⃗/va_t=\vec v\cdot\vec a/v e an=∣a⃗∣2−at2a_n=\sqrt{|\vec a|^2-a_t^2}. Quando an>0a_n>0, ρ=v2/an\rho=v^2/a_n. Num trecho retilíneo, a curvatura é zero e o raio pode ser entendido como infinito. Num instante com velocidade nula, estas fórmulas de versores precisam de análise separada.

Ver forma em três dimensões

Em três dimensões, a mesma relação é ρ=∣v⃗∣3/∣v⃗×a⃗∣\rho=|\vec v|^3/|\vec v\times\vec a|.

Com a relação entre aceleração normal e curvatura, o topo do projétil anterior dá um exemplo numérico. Aí v⃗\vec v é horizontal e a⃗\vec a vertical. Portanto at=0a_t=0, an=ga_n=g e ρ=(73)2/g=147/9,81≈14,98 m\rho=(7\sqrt3)^2/g=147/9{,}81\approx14{,}98\ \mathrm m.

Movimento circular

Numa circunferência de raio RR, escolhe um sentido angular positivo. O arco orientado é s=Rθs=R\theta, com θ\theta em radianos; uma volta corresponde a 2π2\pi radianos. A velocidade angular ω=dθ/dt\omega=d\theta/dt mede-se em rad/s\mathrm{rad/s} e a aceleração angular α=dω/dt\alpha=d\omega/dt em rad/s2\mathrm{rad/s^2}.

A velocidade na direção angular positiva é RωR\omega e a aceleração nessa direção é RαR\alpha. A rapidez é v=R∣ω∣v=R|\omega| e a componente normal é an=Rω2a_n=R\omega^2. A componente tangencial definida no sentido da velocidade é at=dv/dta_t=dv/dt: para ω>0\omega>0, vale RαR\alpha; para ω<0\omega<0, vale −Rα-R\alpha. Por exemplo, R=0,50 mR=0{,}50\ \mathrm m, ω=−2 rad/s\omega=-2\ \mathrm{rad/s} e α=+1 rad/s2\alpha=+1\ \mathrm{rad/s^2} descrevem uma rotação que abranda, logo at=−0,50 m/s2a_t=-0{,}50\ \mathrm{m/s^2}.

Num movimento circular uniforme, com ω\omega o módulo da velocidade angular, TT o período e f=1/Tf=1/T a frequência em hertz,

ω=2πT=2πf,an=v2R.\omega=\frac{2\pi}{T}=2\pi f,\qquad a_n=\frac{v^2}{R}.

Uma roda de R=0,20 mR=0{,}20\ \mathrm m a duas voltas por segundo tem ω=4π rad/s\omega=4\pi\ \mathrm{rad/s}, v=0,8π≈2,51 m/sv=0{,}8\pi\approx2{,}51\ \mathrm{m/s} e an=3,2π2≈31,58 m/s2a_n=3{,}2\pi^2\approx31{,}58\ \mathrm{m/s^2}. Rapidez constante não significa aceleração nula.

A cinemática calcula a aceleração necessária, e as leis de Newton dizem que forças a podem produzir.

Exercícios

Distância de travagem

Um corpo move-se a 18 m/s e trava com aceleração constante −3,6 m/s² até parar. Qual a distância percorrida, em metros?

Pista

A velocidade final é zero, ou seja usa a equação que elimina o tempo.

Mais uma pista

Substitui em 0 = 18² + 2 × (−3,6) × Δx.

Solução

Δx = 324/7,2 = 45 m. O tempo de travagem é 18/3,6 = 5 s e a velocidade média é 9 m/s, por isso 45 m confirma-se por dois caminhos.

Erros frequentes

Usar uma aceleração positiva ou prolongar a travagem para lá da paragem, porque o modelo deixa de valer parado.

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Separar acelerações

Num instante, um corpo tem rapidez 6 m/s e aceleração de módulo 5 m/s². A componente tangencial é 3 m/s². Qual o raio de curvatura, em metros?

Pista

As componentes normal e tangencial são perpendiculares.

Mais uma pista

Calcula a normal por √(5² − 3²) e depois usa ρ = v²/a_n.

Solução

a_n = 4 m/s² e ρ = 36/4 = 9 m, porque só a componente normal curva a trajetória.

Erros frequentes

Usar o módulo total da aceleração no lugar da componente normal.

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Velocidade e curvatura no topo

Uma bola sai do solo a 20 m/s20\ \mathrm{m/s} e 60∘60^\circ acima da horizontal. Despreza o ar e usa g=10 m/s2g=10\ \mathrm{m/s^2}.

  1. Determina a velocidade vetorial no topo.
  2. Calcula aí as componentes tangencial e normal da aceleração.
  3. Determina o raio de curvatura. A bola está parada nesse instante?

Pista
No topo, a velocidade é perpendicular à gravidade. Que componente da aceleração muda a direção?
Solução

A componente horizontal mantém-se: vx=20cos⁡60∘=10 m/sv_x=20\cos60^\circ=10\ \mathrm{m/s}. No topo, vy=0v_y=0, logo v⃗=(10,0) m/s\vec v=(10,0)\ \mathrm{m/s}. A aceleração continua a ser a⃗=(0,−10) m/s2\vec a=(0,-10)\ \mathrm{m/s^2}.

Como v⃗⋅a⃗=0\vec v\cdot\vec a=0, at=0a_t=0 e an=10 m/s2a_n=10\ \mathrm{m/s^2}. Assim, ρ=v2/an=100/10=10 m\rho=v^2/a_n=100/10=10\ \mathrm m. A bola continua em movimento horizontal. A rapidez deixa de diminuir e começa a aumentar depois do topo; a gravidade não desaparece.

Confere a tua resposta:

  • Obtenho v_x = 10 m/s e v_y = 0 no topo.
  • Distingo aceleração tangencial nula de aceleração normal de 10 m/s².
  • Calculo o raio de curvatura de 10 m.
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Aterrar noutra altura
Uma bola sai horizontalmente de uma plataforma a 20 m do solo, com rapidez 8 m/s. Sem resistência do ar e com g = 10 m/s², a que distância horizontal da base da plataforma cai?

Pista
Determina primeiro o tempo pela queda vertical.
Mais uma pista
Com y = 0 no solo, 0 = 20 − 10t²/2. O deslocamento horizontal é 8t.
Solução
A raiz futura é t = 2 s. A bola percorre 8 × 2 = 16 m na horizontal. A fórmula do alcance para alturas iguais não se aplica.

Erros frequentes

Tomar a altura inicial como zero, escolher a raiz temporal negativa ou usar a fórmula do alcance para alturas iguais.
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Velocidade com atrito linear
Uma partícula move-se em x com dv_x/dt = −v_x/2, em unidades SI. Em t = 0, v_x = 10 m/s. Qual a velocidade em t = 2 s?

Pista
Separa as variáveis com os limites desde a condição inicial.
Mais uma pista
ln(v_x/10) = −t/2, por isso v_x = 10 exp(−t/2).
Solução
v_x(2) = 10 exp(−1) ≈ 3,68 m/s. A solução nula foi excluída na divisão e não satisfaz a condição inicial.

Erros frequentes

Esquecer a constante de integração ou trocar v_x com sinal pela rapidez.
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Equações horárias e trajetória

Para t≥0t\ge0, uma partícula tem v⃗(t)=(t,3)\vec v(t)=(t,3) em unidades SI e posição inicial (2,0) m(2,0)\ \mathrm m. Obtém as equações horárias, elimina o tempo e indica a parte da trajetória percorrida depois de t=0t=0.

Pista
As constantes de integração vêm da posição inicial. Depois de eliminar t, conserva a condição t ≥ 0.
Solução

Integramos cada componente: x(t)=2+∫0ts ds=2+t2/2x(t)=2+\int_0^t s\,ds=2+t^2/2 e y(t)=∫0t3 ds=3ty(t)=\int_0^t3\,ds=3t. Como t=y/3t=y/3, temos x=2+y2/18x=2+y^2/18.

É uma parábola, mas t≥0t\ge0 impõe y≥0y\ge0. A equação geométrica sem esta restrição incluiria uma parte que não foi percorrida no intervalo considerado.

Confere a tua resposta:

  • Integro as duas componentes com as condições iniciais.
  • Obtenho x = 2 + y²/18 para t ≥ 0.
  • Identifico y ≥ 0 como a parte percorrida desde o instante inicial.
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Acelerar ao longo de uma pista

Um veículo parte do repouso e segue em linha reta, com aceleração ax=4−0,005vx2a_x=4-0{,}005v_x^2 em unidades SI. Qual a distância necessária para atingir 72 km/h72\ \mathrm{km/h}? Indica a velocidade limite do modelo e explica se pode ser atingida numa distância finita.

Pista
Elimina o tempo pela regra da cadeia. A aceleração não é constante.
Solução

A velocidade pedida é 20 m/s20\ \mathrm{m/s}. Como ax=vx dvx/dxa_x=v_x\,dv_x/dx, a distância é

Δx=∫020u4−0,005u2 du=100ln⁡(44−0,005(20)2)=100ln⁡2≈69,3 m.\Delta x=\int_0^{20}\frac{u}{4-0{,}005u^2}\,du =100\ln\left(\frac{4}{4-0{,}005(20)^2}\right) =100\ln2\approx69{,}3\ \mathrm m.

A aceleração anula-se em Vlim=4/0,005=202 m/sV_\mathrm{lim}=\sqrt{4/0{,}005}=20\sqrt2\ \mathrm{m/s}, cerca de 101,8 km/h101{,}8\ \mathrm{km/h}. A distância calculada diverge quando a velocidade se aproxima desse valor por baixo. O veículo aproxima-se do limite sem o atingir numa distância finita. Usar a=4a=4 constante daria apenas 50 m50\ \mathrm m, porque ignoraria a redução da aceleração.

Confere a tua resposta:

  • Converto 72 km/h em 20 m/s.
  • Integro v/(4 − 0,005v²) em relação a v.
  • Obtenho 100 ln 2 m, cerca de 69,3 m, e identifico a velocidade limite.
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