Derivadas e regras de derivação
Conceito de derivada, regras do produto e do quociente, regra da cadeia e derivação de funções trigonométricas e da função inversa.
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Quase todos os cálculos de AM1 começam aqui: estudar uma função, aproximá-la por um polinómio, primitivar por partes ou resolver uma equação diferencial exige derivar sem hesitar. Nesta página fixamos o conceito e as regras que vais usar na cadeira inteira, incluindo a derivada da função inversa e a derivação de potências com expoente variável.
O conceito de derivada
A derivada de num ponto é o limite das taxas de variação média quando o incremento tende para zero:
desde que o limite exista. Geometricamente, é o declive da reta tangente ao gráfico em . Fisicamente, se é a posição de um corpo no instante , então é a velocidade instantânea.
Vejamos a definição a funcionar com em :
Dizer que é diferenciável em é dizer que este limite existe. Uma função diferenciável num ponto é contínua nesse ponto, mas o contrário falha: é contínua em mas não tem derivada aí, porque as taxas laterais valem à esquerda e à direita.
Regras básicas
Para as funções elementares, decoramos uma tabela curta e combinamo-la com as regras de cálculo. As derivadas de base são:
A derivada da soma e do produto por constante segue a linearidade: e . As duas regras que mais erros causam são as do produto e do quociente:
No quociente, a ordem do numerador interessa: deriva-se a função de cima, multiplica-se pela de baixo sem derivar, e subtrai-se o simétrico. Um exemplo completo: para ,
Repara que pusemos em evidência no fim. Este hábito de fatorizar simplifica o estudo do sinal da derivada mais tarde.
Regra da cadeia
Quando uma função está composta dentro de outra, com , a derivada multiplica a derivada exterior (avaliada no ponto interior) pela derivada interior:
A técnica é: deriva a camada de fora como se o interior fosse uma variável simples, e multiplica pela derivada do interior. Para , a camada exterior é o seno e a interior é :
O erro típico é esquecer o segundo fator. Sempre que a função tem algo dentro de outra coisa (um quadrado dentro do seno, um quociente dentro do logaritmo), pergunta no fim: “multipliquei pela derivada do interior?”.
Um caso com duas camadas: . Aqui com , logo
Derivadas das funções trigonométricas e inversas
As derivadas do seno e do cosseno geram as restantes por quociente. Como ,
válida onde . Do mesmo modo se obtém , e .
Para a função inversa, há uma fórmula que evita inverter explicitamente. Se é diferenciável e invertível com , e é a sua inversa, então
Ou seja, a derivada da inversa é o recíproco da derivada da função original, avaliado no ponto correspondente. Aplicando ao arco tangente: significa , com derivada . Logo
Pelo mesmo processo obténs e , nos respetivos domínios.
Potências com expoente variável
Funções como não cabem nem na regra das potências nem na da exponencial, porque base e expoente variam ambos. A saída é a derivação logarítmica: escreve e deriva implicitamente:
donde
A condição é essencial, porque só existe aí. Sempre que vires uma expressão do tipo , com , este é o caminho: logaritmo, produto, cadeia, e multiplicar por no fim.
Para onde ir
Com as regras dominadas, o passo seguinte é perceber o que a derivada garante sobre a função: o teorema de Lagrange, a regra de L’Hôpital e o diferencial.