A transformada de Laplace converte uma função f(t) numa função F(s) tal que derivar no tempo corresponde a multiplicar por s. Com isto, uma equação diferencial linear com condições iniciais vira uma equação algébrica, que se resolve e se transforma de volta. É uma máquina de resolver EDOs, não um truque isolado.
Definição e primeiras transformadas
Para f definida em [0,∞[, a transformada é
L{f(t)}=F(s)=∫0∞e−stf(t)dt,
sempre que o integral impróprio convirja (funções contínuas por partes e de ordem exponencial chegam).
Calculando diretamente: para f(t)=1,
L{1}=∫0∞e−stdt=s1,s>0.
Para f(t)=eat: ∫0∞e−(s−a)tdt=1/(s−a) para s>a. E para potências, a integração por partes repetida dá L{tn}=n!/sn+1. A linearidade, L{af+bg}=aL{f}+bL{g}, estende isto a combinações: por exemplo,
L{4t−10}=s24−s10.
Duas transformadas a decorar para a prova: L{sin(ωt)}=ω/(s2+ω2) e L{cos(ωt)}=s/(s2+ω2). As hiperbólicas seguem das exponenciais: como sinh(kt)=(ekt−e−kt)/2, vem L{sinh(kt)}=k/(s2−k2).
Propriedades operacionais
As propriedades que fazem a máquina funcionar:
Translação no tempo:L{f(t−a)u(t−a)}=e−asF(s), onde u é o degrau unitário. Atrasar a função multiplica por exponencial.
Translação em s:L{eatf(t)}=F(s−a). Multiplicar por exponencial desloca a transformada.
Derivação no tempo:L{f′(t)}=sF(s)−f(0), e em geral L{f′′(t)}=s2F(s)−sf(0)−f′(0). É aqui que entram as condições iniciais.
Multiplicação por t:L{tf(t)}=−F′(s).
Funções periódicas: se f tem período T, L{f}=1−e−sT1∫0Te−stf(t)dt. Basta integrar num período.
A translação em s calcula, por exemplo, L{e−tsint}: como L{sint}=1/(s2+1), deslocar s para s+1 dá 1/((s+1)2+1).
Transformada inversa
Escrever f=L−1{F} é desfazer a transformação, em geral por reconhecimento após decompor F(s) em frações simples. Exemplo: para inverter F(s)=1/(3s−1), escreve F(s)=31⋅s−1/31 e reconhece a exponencial:
L−1{3s−11}=31et/3.
Outro: L−1{1/(s2+9)}=31sin(3t), porque L{sin3t}=3/(s2+9). O padrão é sempre o mesmo: manipula F(s) até veres formas tabeladas.
Resolver EDOs com Laplace
O procedimento tem três passos: transforma a equação (as condições iniciais entram automaticamente), resolve algebricamente para Y(s) e inverte.
Exemplo completo: y′+2y=e−t com y(0)=1. Transformando:
sY−1+2Y=s+11,Y(s+2)=1+s+11=s+1s+2.
Logo Y(s)=1/(s+1) e, invertendo, y(t)=e−t. Confirma: y′+2y=−e−t+2e−t=e−t, com y(0)=1. Certo. Repara como a condição inicial entrou na equação logo no primeiro passo, sem constantes C a arrastar.
Para EDOs de segunda ordem o ganho é maior: L{y′′} absorve y(0) e y′(0) de uma vez, e Y(s) sai de uma equação do primeiro grau.
Para onde ir
O último bloco da cadeira representa funções periódicas de outra forma, como soma de senos e cossenos: as séries de Fourier.