Funções hiperbólicas e integrais impróprios
Definições hiperbólicas, inversas e critérios para integrais em intervalos infinitos ou com singularidades.
Funções hiperbólicas
As combinações de e dão uma função ímpar e outra par. Em zero, a diferença das exponenciais é zero e a soma é dois, por isso e . Definimos
O seno hiperbólico é ímpar e estritamente crescente, com imagem ; o cosseno hiperbólico é par, tem mínimo em zero e imagem . A tangente hiperbólica tem imagem e, como , está definida em todo o real.
Da definição resulta . Assim, pertence à hipérbole . O sinal é uma diferença, ao contrário da identidade circular.
As derivadas são
Definimos também , e . As funções com no denominador exigem . As derivadas são , e , respetivamente.
As inversas principais úteis são
Para perceber a fórmula de , escreve e resolve em . Com , fica . As raízes são , mas só é positiva. Tomar o logaritmo dá a expressão da inversa, válida para todo o real .
Este caminho mostra o padrão geral: isolar a exponencial, resolver a quadrática e conservar apenas a raiz com o sinal permitido. As outras inversas obtêm-se de forma análoga.
As inversas exigem atenção ao domínio. Usamos o ramo não negativo de e de :
| Inversa | Domínio | Derivada no interior do domínio |
|---|---|---|
| , | ||
| , | ||
Podemos obter as três últimas sem decorar novos logaritmos: , e . As fórmulas das derivadas seguem pela cadeia. O valor absoluto em conserva o sinal negativo nos dois ramos.
Para reconhecer primitivas,
mas . O sinal sob a raiz escolhe uma função diferente.
Integrais impróprios
Há dois motivos para um integral ser impróprio: o intervalo é ilimitado ou o integrando é ilimitado num ponto do intervalo. Definimos o integral por limites de integrais próprios.
Para um extremo infinito,
Se é ilimitada em , usamos . Se a singularidade é interior, em , separamos e exigimos que ambos os limites sejam finitos. Para , escolhe um ponto finito e trata as duas caudas separadamente.
Por exemplo,
Já , por isso diverge. O integrando tende para zero em ambos os casos; essa condição não garante convergência.
Os dois modelos p
No infinito,
Perto de zero,
Para , a primitiva é . No infinito precisamos de ; em zero precisamos de . Para , o logaritmo diverge nos dois casos.
Logo , mas diverge. Num mesmo integral, as condições perto de zero e no infinito podem ser diferentes.
Comparação
Para funções não negativas perto do ponto problemático, uma função maior com integral convergente limita a menor. Uma função menor com integral divergente força a maior a divergir.
Se e com , os integrais têm a mesma natureza nesse extremo. Por exemplo,
logo converge. Perto de zero, , por isso e diverge.
Para , perto de zero o integrando equivale a ; no infinito, a . Ambos os extremos convergem. Para calcular o valor, faz , :
A mudança de variável pode ser feita primeiro com limites finitos e só depois nos limites impróprios.
Critério do integral e séries
Se é positiva, contínua e decrescente para , com , então e têm a mesma natureza. A prova compara a soma com retângulos abaixo e acima do gráfico. Em particular, converge quando e diverge quando . É por isso que a série harmónica diverge.
Para , , a função correspondente é eventualmente decrescente. Com ,
Converge se e só se . Quando , a primitiva cresce sem limite.
Para uma série positiva decrescente convergente, o resto obedece a
Sinais e valor principal
O integral não converge. A parte esquerda tende para e a direita para . Não podemos cancelá-las.
O limite simétrico é um valor principal de Cauchy, um conceito diferente. A definição habitual exige os dois limites separadamente.
Se converge, então converge absolutamente, por comparação direta com o módulo. Se o integral do módulo divergir, isso não decide um integrando que muda de sinal.
Exercícios
Área com duas interseções
Escreve e calcula a área entre e em .
Pista
Resolve sin x=1/2 no intervalo antes de escolher o integrando.
Mais uma pista
As interseções são e . Entre elas o seno está acima.
Solução
A área é
As duas parcelas exteriores são iguais. Cada uma vale , e a central vale . A soma é .
Confere a tua resposta:
- Encontrei as duas interseções.
- Dividi o integral nos três intervalos.
- Obtive 2 raiz de 3 menos 2 menos pi sobre 6.
Erros frequentes
Um integral com sinal cancela as partes onde a curva de cima muda. Área geométrica exige altura não negativa.
Volume em torno de um eixo acima da região
Roda a região entre e em torno de . Calcula o volume.
Pista
O intervalo vem de x²=1.
Mais uma pista
O raio exterior é 2-x² e o interior é 1, para -1≤x≤1.
Solução
Os raios são distâncias ao eixo. Logo
O eixo não atravessa a região, por isso todas as secções são arandelas.
Confere a tua resposta:
- Usei o intervalo [-1,1].
- Identifiquei corretamente os dois raios.
- Obtive 56 pi sobre 15.
Erros frequentes
O raio exterior corresponde à curva mais afastada do eixo, aqui a curva mais baixa. Não eleves ao quadrado apenas a diferença das curvas.
Área de uma pétala polar
Calcula a área da pétala da curva no primeiro quadrante.
Pista
Escolhe dois zeros consecutivos que delimitam a pétala.
Mais uma pista
Em , o raio é não negativo. Usa sin²(2θ)=(1-cos4θ)/2.
Solução
A pétala é percorrida uma vez de a . Assim,
A curva completa tem quatro pétalas. Integrar um período maior sem observar o percurso pode calcular outra área.
Confere a tua resposta:
- Escolhi os limites zero e pi sobre dois.
- Incluí o fator um meio.
- Obtive área pi sobre dois.
Erros frequentes
A fórmula tem fator 1/2 e usa r². A pergunta pede uma pétala, não a curva inteira.
Dois extremos e um parâmetro
Determina os valores reais de p para os quais converge.
Pista
Separa em zero a um e um a infinito.
Mais uma pista
Perto de zero o integrando equivale a ; no infinito equivale a .
Solução
Em zero, converge se , ou seja, . No infinito, converge se , ou seja, .
As equivalências têm razão a tender para um e os integrandos são positivos. Precisamos das duas condições, portanto o intervalo é . Nos extremos e surge divergência logarítmica num dos lados.
Confere a tua resposta:
- Separei os dois extremos.
- Usei comparação por limite com potências positivas.
- Obtive 0<p<2 e excluí os extremos.
Erros frequentes
A desigualdade do expoente inverte o tipo de condição entre zero e infinito. Não basta verificar uma cauda.
Uma composição com seno hiperbólico
Calcula .
Pista
A derivada de sinh x é cosh x.
Mais uma pista
Com u=sinh x, reconheces a primitiva de 1/(1+u²).
Solução
A mudança dá . Logo
O denominador é positivo em todo o real. Pela cadeia, derivar o resultado recupera o integrando.
Confere a tua resposta:
- Usei a derivada correta de sinh.
- Reconheci o arco-tangente.
- Indiquei domínio real.
Erros frequentes
Arco-tangente e tangente hiperbólica têm derivadas diferentes. A função inversa reconhecida depende da forma 1+u².
Discos com mudança do raio exterior
Roda em torno de a região definida por e . Determina o volume e explica por que não podes somar os volumes obtidos ao rodar separadamente as partes acima e abaixo do eixo. Quanto volume ficaria contado duas vezes?
Pista
Em cada valor de , a faixa contém zero. Compara as distâncias das duas extremidades ao eixo.
Solução
Cada faixa gera um disco cheio, pois vai de até . As distâncias das extremidades são e , logo e . O raio exterior muda em :
A primeira parcela vale e a segunda vale . Assim .
A parte inferior roda num cilindro de raio e volume . A superior dá . Somar daria , mas os dois sólidos sobrepõem-se. O raio da região comum é o menor dos dois raios, , por isso a sobreposição tem volume
Retirar essa duplicação recupera . O volume da união exige preencher cada secção uma única vez.
Confere a tua resposta:
- Identifiquei discos cheios, porque cada faixa contém o eixo.
- Usei R=1 até x=1 e R=x depois, sem subtrair um raio interior.
- Obtive V=10π/3 e expliquei o volume contado duas vezes ao somar as duas partes.