As funções hiperbólicas são combinações da exponencial que aparecem em cabos suspensos, vibrações e, nesta cadeira, como treino de derivação e primitivação. Os integrais impróprios estendem depois o integral de Riemann a intervalos infinitos ou a funções com singularidades, usando limites.
Funções hiperbólicas
O seno hiperbólico e o cosseno hiperbólico definem-se por
sinhx=2ex−e−x,coshx=2ex+e−x.
As restantes seguem por quociente: tanhx=sinhx/coshx, cothx=coshx/sinhx, sechx=1/coshx e cschx=1/sinhx. O domínio do sinh, cosh e sech é todo o R; tanh exclui os zeros do cosh (nenhum real, mas atenção ao contradomínio ]−1,1[).
A identidade central é o análogo hiperbólico do teorema de Pitágoras trigonométrico:
cosh2x−sinh2x=1.
Confirma-se expandindo: 41((ex+e−x)2−(ex−e−x)2)=41(4exe−x)=1. Repara no sinal menos, a diferença que distingue o mundo hiperbólico do trigonométrico.
As derivadas trocam sinh e cosh entre si:
dxdsinhx=coshx,dxdcoshx=sinhx,dxdtanhx=sech2x.
A primeira confirma-se derivando a definição: (ex+e−x)/2=coshx. Daqui saem primitivas úteis: ∫sinhxdx=coshx+C e ∫coshxdx=sinhx+C. Para quocientes, a substituição resolve: com u=coshx,
∫tanhxdx=∫coshxsinhxdx=ln(coshx)+C,
sem módulo, porque coshx>0 sempre.
Integrais impróprios
Um integral impróprio envolve um limite infinito ou uma singularidade, e define-se por passagem ao limite. Para intervalo ilimitado:
∫a∞f(x)dx=b→∞lim∫abf(x)dx,
e diz-se convergente se o limite existe finito, divergente caso contrário. Para singularidade em c interior, parte-se o integral em [a,c[ e ]c,b] e exige-se convergência dos dois lados.
Exemplo convergente: ∫1∞x2dx. Calcula até b e passa ao limite:
∫1bx−2dx=1−b1b→∞1.
O integral converge com valor 1. Contrasta com ∫1∞xdx=limb→∞lnb=∞, que diverge: o expoente 1 é a fronteira, tal como nas séries-p.
Com singularidade na origem: ∫01xdx. Para a>0:
∫a1x−1/2dx=2−2aa→0+2.
Converge com valor 2, apesar de a função explodir em 0: a área acumula devagar o suficiente.
Os critérios de comparação evitam calcular primitivas quando só a natureza interessa: se 0≤f≤g e ∫g converge, então ∫f converge; se ∫f diverge, ∫g diverge. Compara com as bitolas 1/xp no infinito (p>1 converge) e (x−c)−p na singularidade (p<1 converge).
Para onde ir
Com o cálculo integral fechado, a cadeira usa-o para resolver equações onde a incógnita é uma função: as equações diferenciais ordinárias.