Séries de Fourier
Funções periódicas, coeficientes de Fourier pelas fórmulas de Euler e convergência da série, com um exemplo completo.
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Enquanto a série de Taylor aproxima uma função perto de um ponto com polinómios, a série de Fourier representa uma função periódica em todo o seu domínio como soma de senos e cossenos. Para engenharia, é a linguagem natural de sinais e vibrações: cada termo é uma harmónica com frequência múltipla da fundamental.
Funções periódicas e a forma da série
Uma função é periódica de período se para todo o . A cadeira trabalha com período : se a série converge, a sua soma herda esse período, porque cada termo e tem período .
A série de Fourier de escreve-se
onde são os coeficientes de Fourier. Escreve-se em vez de por conveniência: assim a fórmula de abaixo também produz para . O til indica que a igualdade depende da convergência, tratada no fim.
Coeficientes: as fórmulas de Euler
A chave é a ortogonalidade de senos e cossenos em : integrais de produtos de harmónicas distintas anulam-se, e só sobrevivem os quadrados. Multiplicando a série por ou e integrando termo a termo, isolamos cada coeficiente. As fórmulas de Euler resultantes são:
para (com a usar ). Há dois atalhos de simetria que deves verificar primeiro: se é par, todos os são zero; se é ímpar, todos os são zero. Metade das contas desaparece.
Exemplo completo: em
Considera a função periódica de período que vale em (onda em dente de serra). Como é ímpar, para todo o . Para :
porque o integrando é par. Primitivando por partes (, ):
Avaliando de a : em dá ; em dá . Logo
e a série é
Os primeiros termos já desenham a reta: com , acompanha perto da origem; somar corrige a curvatura. Quanto mais harmónicas, melhor o ajuste dentro de .
Convergência e o teorema da representação
Nem sempre a série iguala a função ponto a ponto. O teorema da representação dá condições suficientes: se é periódica de período , contínua por partes e com derivadas laterais em cada ponto de , então a série de Fourier converge, e a sua soma vale onde é contínua.
Nos pontos de salto, a série converge para a média dos limites laterais, . No exemplo do dente de serra, em a função salta de para , e a série soma , a média. Este comportamento nos saltos (com o fenómeno de Gibbs nas somas parciais) é normal e esperado, não um erro de cálculo.