Curvas paramétricas e funções vetoriais
Parametrização, triedro, planos associados, comprimento, curvatura e centro de curvatura.
A hélice descreve um ponto que roda em torno do eixo enquanto sobe. Em está em ; em está em . Uma volta aumenta a altura em .
Esta é uma curva parametrizada: a função vetorial associa a cada valor do parâmetro uma posição. A imagem diz por onde passa; a parametrização diz em que ordem e a que velocidade. Se representar tempo, as derivadas descrevem o movimento.
Parametrizar uma curva
O segmento de a é , com . Para e , fica . Substituir e confirma os extremos e o sentido.
Uma circunferência de centro e raio é , , em sentido anti-horário. Troca por para inverteres o sentido. A hélice sobe uma volta quando aumenta .
Limites, derivadas e integrais de funções vetoriais calculam-se componente a componente. Para um produto escalar, . A mesma regra vale para o produto vetorial, conservando a ordem dos fatores.
Velocidade e vetor tangente unitário
A velocidade é ; a velocidade escalar é ; a aceleração é . Assumimos de classe , ou seja, com derivada contínua. Uma curva é regular num ponto se , porque só aí podemos definir
Na hélice, e . Em , e . A reta tangente é . O parâmetro desta reta é novo, por isso não precisa de coincidir com .
Para duas curvas que se cruzam, o ângulo entre os sentidos de movimento vem de . Se pedirem o menor ângulo entre as retas tangentes, usa o módulo do numerador.
Normal principal e binormal
Para calcular a normal e a curvatura, assumimos ainda de classe , ou seja, com segunda derivada contínua. A tangente muda de direção quando a curva se dobra. Se , o normal principal é . No espaço, completa o triedro ortonormal.
Para a hélice:
Em , aponta para o eixo da hélice. Confirma que os três vetores têm norma 1 e produtos escalares nulos.
O esquema seguinte é a projeção da hélice no plano : o círculo é a sombra do percurso, não o percurso. A seta marcada é a projeção da tangente espacial, e a subida segundo não aparece no desenho.
Um plano com normal que passa por satisfaz . Os planos associados à curva usam as três direções do triedro:
| Plano | Vetor normal | Equação na hélice em |
|---|---|---|
| Normal | ||
| Osculador | ||
| Retificador |
O plano osculador contém as direções tangente e normal principal. Numa reta, , por isso este triedro não define uma normal principal única.
Comprimento de arco
O pequeno deslocamento tem comprimento aproximado , por isso somamos:
Uma volta da hélice tem comprimento . O deslocamento entre os extremos tem norma , menor que o comprimento percorrido, porque o caminho dá a volta. Integrar o vetor velocidade dá deslocamento, não comprimento.
A função mede o arco percorrido. Se , é crescente e permite usar o próprio comprimento como parâmetro; nessa parametrização a velocidade escalar é 1.
Para , é constante e . A inversa é , logo
tem . Para reparametrizar, medimos o comprimento, invertemos a função e substituímos no percurso. A norma unitária confirma que uma unidade do novo parâmetro corresponde a uma unidade de comprimento.
Aceleração tangencial e normal
Deriva pela regra do produto. Como é unitário, é perpendicular a e . Obtém-se
A parcela mede travagem ou arranque ao longo da tangente; mede a curva para o lado da normal. Na hélice anterior, e . Em , e
Toda a aceleração é normal e aponta para o eixo. Num arranque em linha reta, pelo contrário, e toda a aceleração é tangencial.
Normal quando a velocidade escalar varia
Se a partícula acelera também ao longo da tangente, normalizar não dá a normal principal. Da relação resulta
Retira primeiro a componente tangencial:
Só depois normaliza para obter , quando esse vetor não é nulo. O produto permite conferir a conta.
Por exemplo, para , a velocidade escalar é . Em , temos e .
Daqui sai e . A componente normal da aceleração é . Assim, e .
Normalizar daria um vetor que nem é perpendicular a . A velocidade crescente também muda o cálculo do arco: entre e , o comprimento é , não a velocidade inicial vezes o tempo.
Curvatura
A curvatura mede quanto a tangente roda por unidade de comprimento:
Voltando à hélice inicial , , logo . O raio de curvatura é e o centro de curvatura em é . Este centro está no plano osculador, não necessariamente no eixo da hélice.
No plano, substitui o produto vetorial por . Para um gráfico , obténs .
Na circunferência de raio , a curvatura é : um círculo menor dobra mais depressa. Na reta, é zero e não há raio de curvatura finito. As fórmulas exigem regularidade, ou seja, uma parametrização com velocidade nula precisa de análise antes de as aplicares.
Exercícios
Triedro e centro de curvatura
Para , calcula , , , e o centro de curvatura em .
Pista
A velocidade tem norma 5. A derivada da tangente tem norma .
Mais uma pista
Assim, . Usa e o normal para o eixo.
Solução
Temos , e . A curvatura é , o raio e o centro .
Confere a tua resposta:
- Normalizei a velocidade.
- Calculei N a partir de T, e B por produto vetorial.
- Usei P mais N dividido pela curvatura.
Erros frequentes
Normalizar a aceleração só coincide com N em casos particulares. O centro de curvatura não é necessariamente o centro do círculo projetado.
Curvatura máxima e centro de curvatura
Para , determina a curvatura em cada ponto, prova onde é máxima e encontra o centro de curvatura nesse ponto.
Pista
Solução
. O denominador é pelo menos 1, com igualdade apenas em , por isso o máximo é 2. Para a parametrização , a normal no vértice é . O raio é e o centro é .
Confere a tua resposta:
- Obtive a curvatura como função de x.
- Justifiquei o máximo global.
- Localizei o centro de curvatura no vértice.
Erros frequentes
A segunda derivada e a curvatura só coincidem aqui porque o declive é zero.
Reparametrizar pelo arco e separar a aceleração
Para , toma , calcula o comprimento de uma volta, escreve , a reparametrização e a decomposição de em .
Pista
Mais uma pista
Usa , e com .
Solução
Como , uma volta tem comprimento . Temos e
com norma da derivada 1. A aceleração é ; como , é toda normal: .
Confere a tua resposta:
- Calculei s(t) e inverti a função.
- Confirmei velocidade unitária na nova parametrização.
- Separei a aceleração em tangencial e normal.
Erros frequentes
Reparametrizar exige inverter , não apenas dividir o vetor por 5. A aceleração normal aponta para , não para a origem do referencial.
Uma parametrização que para
A parametrização , , descreve uma reta. É regular em ? Podemos usar aí a fórmula de curvatura com esta parametrização? Dá uma parametrização regular da mesma imagem.
Pista
Calcula antes de dividires pela velocidade.
Mais uma pista
Uma curva geométrica pode ser lisa mesmo que a parametrização escolhida tenha velocidade nula.
Solução
anula-se em . Esta parametrização não é regular nesse ponto e a fórmula teria denominador zero. A parametrização tem velocidade em toda a reta e curvatura zero.
Confere a tua resposta:
- Verifiquei a velocidade na origem.
- Distingui a imagem da curva da parametrização.
- Encontrei uma parametrização regular da mesma reta.
Erros frequentes
Velocidade nula não prova que a imagem tenha um canto. Também não permite concluir curvatura zero a partir de .
Retirar a aceleração tangencial
Considera , para . Calcula o comprimento do arco e, em , o triedro, a decomposição da aceleração, o plano normal, a curvatura e o centro de curvatura.
Pista
Usa e normaliza , em vez de normalizares toda a aceleração.
Solução
Pela regra do produto, a velocidade é
A soma dos quadrados das duas primeiras componentes, antes do fator , é 5. A terceira acrescenta 4, logo e
No instante inicial, , e . Então e . A parcela normal da aceleração é
A sua norma é , portanto
O produto pela ordem dá
Os vetores têm norma 1 e são ortogonais. A decomposição é , o que também confirma as três componentes de . O plano normal passa por e tem normal :
Como , temos
O centro fica na direção de :
A aceleração total não serve de normal, pois . O comprimento do arco também não se calcula multiplicando a velocidade inicial pelo intervalo de tempo.
Confere a tua resposta:
- Derivei a velocidade e a sua norma antes de avaliar em zero.
- Retirei a componente tangencial para encontrar a normal.
- Calculei o binormal, o plano normal, a curvatura e o centro.
- Integrei a velocidade variável para obter o comprimento.