Quase nenhuma função real aparece isolada: a temperatura depende da posição, que depende do tempo; uma equação liga x e y sem nenhuma estar isolada. A regra da cadeia deriva o encadeamento, e o teorema da função implícita deriva relações do tipo F(x,y)=0 sem as resolver.
A cadeia ao longo de uma curva
Se z=f(x,y) e o ponto (x,y) percorre a curva x=x(t), y=y(t), então z é indiretamente função de t e
dtdz=∂x∂fdtdx+∂y∂fdtdy=∇f⋅r′(t).
Cada termo segue um caminho pelo qual t influencia z (via x ou via y), e a soma junta todos os caminhos.
Um exemplo que mostra a força da fórmula: seja z=x2+y2 com x=cost, y=sint. Pela cadeia,
dtdz=2x(−sint)+2y(cost)=−2costsint+2sintcost=0.
A derivada nula diz que z é constante, o que é verdade (z=cos2t+sin2t=1): andamos sobre a curva de nível z=1, por isso a função não varia. Sempre que a curva percorre uma curva de nível, a cadeia devolve zero.
A cadeia geral
Para w=f(x,y) com x=x(u,v), y=y(u,v), há dois parâmetros independentes e duas fórmulas:
O esquema é sempre o mesmo: para cada variável independente, soma sobre todas as variáveis intermédias o produto da derivada exterior pela derivada interior.
Concretiza com w=exy, x=u+v, y=u−v. Então ∂x∂w=yexy e ∂y∂w=xexy, e
∂u∂w=yexy⋅1+xexy⋅1=(x+y)exy=2ueu2−v2,
porque x+y=2u e xy=u2−v2. Confirma por substituição direta: w=eu2−v2 e ∂u∂w=2ueu2−v2. Bate certo. Esta verificação (substituir e derivar diretamente) é a melhor forma de apanhar erros de cadeia nos testes.
Derivar sem isolar: uma equação
A equação x2+y2=25 define y como função de x perto de quase todos os pontos, mas isolar dá dois ramos (y=±25−x2). Para a derivada, isso é irrelevante: deriva ambos os membros em ordem a x, tratando y como função de x:
2x+2ydxdy=0⟹dxdy=−yx,y=0.
No ponto (3,4), o declive é −3/4. A fórmula geral para F(x,y)=0 é
dxdy=−FyFx,Fy=0,
que é a mesma conta: aqui F=x2+y2−25, Fx=2x, Fy=2y. A condição Fy=0 não é burocracia: em y=0 (pontos (±5,0)) a tangente é vertical e y deixa de ser função de x.
Sistemas de equações
Duas equações podem definir duas variáveis em função de uma terceira. Se
x2+zy2+3xz−4z2=0,xyz=0
definem z e y como funções de x, deriva-se cada equação em ordem a x e resolve-se o sistema linear em dxdz e dxdy. Da segunda equação, yz+xdxdyz+xydxdz=0. No ponto (2,0,2): 0+2dxdy⋅2+0=0, logo dxdy=0. Da primeira: 2x+dxdzy2+2zydxdy+3z+3xdxdz−8zdxdz=0. Em (2,0,2) com dxdy=0: 4+0+0+6+6dxdz−16dxdz=0, isto é, 10−10dxdz=0, logo dxdz=1.
Isto só funciona quando o sistema linear é determinado, o que equivale ao determinante da matriz das derivadas em ordem às variáveis dependentes ser não nulo. Na prática dos exercícios, se o sistema der 0=5 ou ficar indeterminado, o ponto provavelmente viola a hipótese do teorema.
Falhas frequentes
Na cadeia, o erro clássico é derivar só o caminho direto e esquecer os indiretos (por exemplo, derivar f em x mas esquecer que y também depende de t). Desenha sempre o diagrama de dependências antes de escrever a fórmula. Nas implícitas, não apliques a fórmula decorada sem verificar a condição (Fy=0 ou determinante não nulo): metade dos exercícios de recurso testa exatamente o ponto onde a hipótese falha.