Derivadas parciais, gradiente e jacobiana
Derivadas direcionais, diferenciabilidade, aproximação linear, diferenciais e jacobianas.
Para , passar de para dá uma variação . Passar para dá . As taxas de primeira ordem são diferentes: 2 segundo e segundo .
As derivadas parciais medem estas taxas mantendo a outra coordenada fixa. A derivada direcional permite escolher outra direção. A diferenciabilidade exige que uma única aproximação linear explique todos os pequenos deslocamentos.
Derivadas parciais
A definição em duas variáveis é
Para , temos e . Em valem 2 e . Nos cortes do gráfico paralelos aos eixos, estes são os declives das tangentes.
As segundas parciais são , e . A igualdade das mistas é garantida quando são contínuas numa vizinhança, por isso não a uses como definição nem a assumes em funções definidas por ramos sem verificar as hipóteses.
Derivada direcional
Para um versor , de norma 1,
A direção usa . Normalizar faz o resultado medir variação por unidade de distância, ou seja, uma direção não unitária daria a taxa por unidade do parâmetro escolhido.
Se é diferenciável em , podemos calcular . Sem diferenciabilidade, calcula pela definição, porque a existência das parciais não autoriza esta fórmula.
O gradiente
O vetor junta as parciais. No exemplo em é . Segundo , a derivada é .
Pela desigualdade de Cauchy-Schwarz, . Quando o gradiente não é nulo, o maior aumento é , na direção ; a maior descida usa a direção oposta. Direções perpendiculares ao gradiente têm derivada zero naquele ponto, o que não significa que a função seja constante numa reta inteira.
Na demo usamos no ponto . O gradiente fixo é e a direção é . Roda o ângulo e observa a taxa: é máxima perto de e zero nas direções tangentes à elipse de nível .
Direção unitária u = (1,000; 0,000)
Derivada direcional: 2,000. Máximo: √20 ≈ 4,472.
Há duas leituras da mesma conta com o vetor . A taxa por unidade de distância usa o versor e vale . A derivada da composição em vale vezes mais, porque cada unidade de anda unidades de distância. Os materiais FEUP usam ambas; aqui reserva-se para versores, e a composição escreve-se .
Se uma curva fica sobre , a cadeia dá quando é diferenciável. Num ponto onde , este é um vetor normal ao nível. A prova completa usa a cadeia e fica na página seguinte. Para em , a tangente satisfaz .
Diferenciabilidade e plano tangente
é diferenciável em quando
Aqui é um vetor de deslocamentos, e designa um erro cujo quociente por tende a zero. Uma condição suficiente é ter parciais contínuas numa vizinhança do ponto. Diferenciabilidade implica continuidade e a fórmula direcional, mas a recíproca não é automática.
Para o gráfico , o plano tangente em é
No nosso primeiro exemplo, , por isso . Para , o plano estima . O valor exato é ; o erro é , menor que a variação de primeira ordem.
O diferencial é . Representa a parte linear da variação, não a variação exata . Para erros pequenos e , estimamos .
Uma função com parciais mas sem diferenciabilidade
Define fora da origem e . Nos eixos é sempre zero, logo . Na diagonal vale , por isso nem é contínua. As parciais observam só os cortes coordenados e não detetam este problema.
Mesmo continuidade e todas as derivadas direcionais não garantem diferenciabilidade. Define e fora da origem. A estimativa prova continuidade.
Para um versor , a definição dá , mas as parciais são e : o produto não coincide com em geral. Falta uma única aproximação linear válida em todas as direções.
Jacobiana e campos vetoriais
Para , a matriz jacobiana tem linhas, uma por componente, e colunas, uma por variável. Para :
Em , uma variação produz aproximadamente . A derivada direcional vetorial é , um vetor de componentes. Confere as dimensões antes de multiplicares.
Teorema do valor médio num segmento
Ver a estimativa ao longo de um segmento
Se é diferenciável numa vizinhança do segmento de a , aplica o teorema de uma variável a . Existe com . Assim, se no segmento, . Para um campo vetorial, esta estimativa pode usar uma norma da jacobiana, mas não afirmes que todas as componentes partilham o mesmo ponto intermediário.
Exercícios
Normalizar antes de projetar
Para , calcula a derivada em na direção .
Pista
O gradiente é , mas a direção ainda não é unitária.
Solução
Erros frequentes
O valor 20 corresponde à direção sem normalizar e não à taxa por unidade de distância.
Plano e diferencial
Para em , encontra o plano tangente e estima .
Pista
Mais uma pista
Solução
Confere a tua resposta:
- Calculei valor e gradiente no ponto.
- Escrevi o plano tangente.
- Distingui estimativa de valor exato.
Erros frequentes
Uma derivada que é um vetor
Para em , calcula a derivada na direção .
Pista
A jacobiana no ponto é a matriz com linhas e .
Mais uma pista
Solução
A derivada direcional é . É um vetor porque F tem duas componentes.
Confere a tua resposta:
- A matriz tem uma linha por componente.
- Normalizei a direção.
- Obtive duas componentes.
Erros frequentes
O determinante não é a derivada direcional. Quando multiplicas uma matriz pelo vetor, obténs uma componente por linha.
Todas as direções, mas nenhuma aproximação linear
Define e fora da origem. Prova continuidade, calcula as parciais e a derivada segundo . A função é diferenciável na origem?
Pista
Usa para continuidade. Nos eixos, as expressões são 0 e y.
Mais uma pista
Para unitário, substitui na definição: a derivada é .
Solução
Como , o limite é 0. Temos e . Na direção pedida, , mas . Se f fosse diferenciável, os valores coincidiriam. Portanto, é contínua e tem todas as derivadas direcionais, mas não é diferenciável.
Confere a tua resposta:
- Provei continuidade com uma estimativa.
- Calculei as parciais pela definição.
- Comparei a derivada numa direção com o produto pelo gradiente.
Erros frequentes
A fórmula pelo gradiente exige diferenciabilidade. Usa a definição para a testar, em vez de a assumir.