Superfícies, fluxo e os teoremas da divergência e de Stokes
Parametrização de superfícies, integrais de superfície, divergência, rotacional e os dois grandes teoremas.
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Curvas usam um parâmetro; superfícies usam dois. Integrar sobre elas mede área, massa de uma casca ou o fluxo de um campo (quanto fluido atravessa a superfície por unidade de tempo). Os teoremas da divergência e de Stokes convertem esses integrais de superfície em integrais de volume e de linha, e são o ponto alto da cadeira.
Parametrizar uma superfície
Uma superfície descreve-se por sobre uma região do plano . As derivadas parciais e são tangentes à superfície, e o produto vetorial fundamental
é normal a ela. A sua norma corrige o elemento de área: .
A esfera de raio parametriza-se por com , . O produto fundamental é , que aponta para fora da esfera (no polo norte, , dá : para cima, portanto para fora). A área confirma-se por .
Para o gráfico sobre , a parametrização dá , logo
Integrais de superfície e fluxo
O integral escalar soma ponderada pela área (massa de uma casca com densidade ). O fluxo de um campo através de orientada (com normal unitária escolhida) é
onde deve apontar para o lado da orientação pedida. Só a componente normal atravessa a superfície; a tangencial passa ao lado.
Calcula o fluxo de através da esfera de raio , de dentro para fora. Com a parametrização acima, , e
porque . Guarda este número: vamos reencontrá-lo pelo teorema da divergência.
Divergência, rotacional e o operador nabla
Com , a divergência mede o balanço local entre fontes e sorvedouros (positiva onde o campo “nasce”). O rotacional mede a tendência local de rodar; diz-se irrotacional quando . Duas identidades ligam tudo: o rotacional de um gradiente é nulo, e a divergência de um rotacional é nula. Além disso, num domínio sem buracos, é gradiente se e só se for irrotacional, o que generaliza o teste da página de integrais de linha.
Teorema da divergência
Se é a superfície fechada (orientada para fora) que delimita o volume :
O fluxo total para fora iguala a soma das fontes interiores. Para , , e o fluxo através da esfera é simplesmente o volume da bola: . É o mesmo valor do cálculo direto, obtido aqui numa linha. Sempre que a divergência é constante (ou simples) e a superfície é fechada, este teorema evita parametrizar.
Teorema de Stokes
Se é uma superfície orientada com bordo (orientações compatíveis pela regra da mão direita):
A circulação ao longo do bordo iguala o fluxo do rotacional através de qualquer superfície que ele delimita. Para , . Sobre a circunferência unitária no plano , a circulação direta dá ; por Stokes, com o disco unitário, . Qualquer outra superfície com o mesmo bordo (por exemplo, o hemisfério superior) daria o mesmo valor: é essa liberdade de escolha que torna o teorema útil.
Falhas frequentes
A orientação decide o sinal em tudo: normal para dentro numa superfície fechada troca o sinal do fluxo, e bordo percorrido ao contrário troca o sinal em Stokes. Confirma sempre para que lado aponta (a ordem do produto vetorial importa) antes de integrar. E não apliques a divergência a superfícies abertas nem Stokes a superfícies sem bordo (numa esfera não há , por isso Stokes não diz nada sobre ela).