Conteúdos da cadeira

Sistemas lineares invariantes

Resposta impulsional, convolução e resposta ao escalão, com o filtro RC como exemplo.

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Um filtro RC recebe um sinal e devolve outro. Em vez de resolveres uma equação diferencial para cada entrada possível, a teoria de sistemas caracteriza a caixa uma vez (a resposta impulsional) e depois calcula qualquer saída por uma integral (a convolução). Funciona para qualquer sistema linear e invariante no tempo (SLIT): a saída de uma soma é a soma das saídas, a saída de uma entrada atrasada é a saída atrasada, e nada muda com o passar do tempo.

Resposta impulsional

O impulso unitário δ(t)\delta(t) é um pulso infinitamente estreito e alto com área unitária. A resposta impulsional h(t)h(t) é a saída do sistema quando a entrada é δ(t)\delta(t) (com o sistema inicialmente em repouso). Ela identifica o sistema: dois SLIT com a mesma h(t)h(t) são indistinguíveis por fora.

Para o filtro RC passa-baixo (fonte, RR e CC em série, saída aos terminais do condensador), a equação é RCdy/dt+y=xRC\,dy/dt + y = x, com xx a entrada e yy a saída. A resposta impulsional é

h(t)=1τet/τu(t),τ=RC,h(t) = \frac{1}{\tau}\,e^{-t/\tau}\,u(t), \qquad \tau = RC,

onde u(t)u(t) é o escalão unitário (00 para t<0t < 0, 11 para t0t \geq 0), que impõe a causalidade: sem entrada passada não há saída presente. Repara que h(t)h(t) tem a forma do transitório dos circuitos reativos, porque é o mesmo circuito a responder ao pulso mais simples possível.

Convolução

Qualquer entrada x(t)x(t) decompõe-se numa sucessão de impulsos de área x(λ)dλx(\lambda)\,d\lambda em cada instante λ\lambda. Por linearidade e invariância, cada um contribui com x(λ)h(tλ)dλx(\lambda)h(t - \lambda)\,d\lambda para a saída no instante tt. Somar todos dá a integral de convolução:

y(t)=+x(λ)h(tλ)dλ=(xh)(t).y(t) = \int_{-\infty}^{+\infty} x(\lambda)\,h(t - \lambda)\,d\lambda = (x * h)(t).

Lê-se assim: para saber a saída agora, pesas o passado da entrada pela resposta impulsional. Se hh decai depressa (τ pequeno), só o passado recente conta e o sistema é rápido; se decai devagar, o sistema tem memória longa e é lento.

Exemplo: resposta do RC ao escalão

Aplica um escalão x(t)=V0u(t)x(t) = V_0\,u(t) ao filtro RC com R=1,0 kΩR = 1{,}0\ \text{k}\Omega, C=1,0 μFC = 1{,}0\ \mu\text{F} (τ=1,0 ms\tau = 1{,}0\ \text{ms}) e V0=5,0 VV_0 = 5{,}0\ \text{V}. Para t0t \geq 0:

y(t)=0tV01τe(tλ)/τdλ.y(t) = \int_0^t V_0\,\frac{1}{\tau}e^{-(t-\lambda)/\tau}\,d\lambda.

Com a mudança s=tλs = t - \lambda, o integral fica V0(1et/τ)V_0(1 - e^{-t/\tau}), ou seja

y(t)=V0(1et/τ)u(t).y(t) = V_0\left(1 - e^{-t/\tau}\right)u(t).

É a exponencial de carga que já conheces, agora obtida por convolução em vez de resolver a equação diferencial. Aos t=2,0 mst = 2{,}0\ \text{ms} (dois τ\tau): y=5,0×(1e2)=5,0×(10,1353)=5,0×0,86474,32 Vy = 5{,}0 \times (1 - e^{-2}) = 5{,}0 \times (1 - 0{,}1353) = 5{,}0 \times 0{,}8647 \approx 4{,}32\ \text{V}. A constante de tempo volta a mandar: a saída atinge 63%63\% em τ\tau, e a convolução mostra porquê, porque τ\tau é a largura da janela de memória h(t)h(t).

Para onde ir

A convolução descreve o sistema no tempo. Aplicada a uma sinusoide, ela reduz-se a multiplicar por um número complexo que depende da frequência: é a resposta em frequência, que liga os sistemas aos filtros e à amostragem.

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