Sistemas lineares invariantes

Convolução contínua e discreta, resposta impulsional, causalidade e interligações.

TLDR

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Um sistema linear e invariante no tempo, SLIT ou LTI, é caracterizado pela resposta a um impulso, com estado inicial nulo. A linearidade permite somar respostas; a invariância permite deslocá-las. Juntas, dão a convolução.

Resposta impulsional

h(t)h(t) é a saída para δ(t)\delta(t); h[n]h[n] é a saída para δ[n]\delta[n]. Um impulso aplicado em t0t_0 produz h(t−t0)h(t-t_0). Para um filtro RC passa-baixo, com saída na capacidade,

τy′+y=x,h(t)=1τe−t/τu(t),τ=RC>0.\tau y'+y=x,\qquad h(t)=\frac1\tau e^{-t/\tau}u(t),\quad\tau=RC>0.

Como o ganho entre tensões é adimensional, h(t)h(t) tem unidade s−1\mathrm{s^{-1}}. A área de hh é um. A fórmula descreve a resposta de estado nulo, não uma eventual tensão já armazenada.

Convolução discreta

Decompomos x[n]x[n] em impulsos deslocados, x[n]=∑kx[k]δ[n−k]x[n]=\sum_kx[k]\delta[n-k]. Cada parcela produz x[k]h[n−k]x[k]h[n-k]. Somando,

y[n]=(x∗h)[n]=∑k=−∞∞x[k]h[n−k].y[n]=(x*h)[n]=\sum_{k=-\infty}^{\infty}x[k]h[n-k].

Para cada índice de saída, verifica quais os termos não nulos. A reflexão h[−k]h[-k] e o deslocamento h[n−k]h[n-k] são os passos que tornam a convolução diferente de uma multiplicação ponto a ponto.

Exemplo: média de três amostras

Com h[0]=h[1]=h[2]=1/3h[0]=h[1]=h[2]=1/3 e restantes zero, y[n]=(x[n]+x[n−1]+x[n−2])/3y[n]=(x[n]+x[n-1]+x[n-2])/3. Para entrada x[0]=3x[0]=3, x[1]=6x[1]=6, x[2]=0x[2]=0 e restantes zero, a saída nos índices 00 até 44 é [1,3,3,2,0][1,3,3,2,0].

Em n=1n=1, só contribuem x[0]h[1]+x[1]h[0]=1+2=3x[0]h[1]+x[1]h[0]=1+2=3. Em n=3n=3, a amostra 66 ainda contribui através de h[2]h[2], embora a entrada atual seja zero. Esta é a memória do filtro.

Índice n01234
3h[n]11100
6h[n−1]02220
Soma y[n]13320
Na coluna n = 1, as cópias deslocadas contribuem com 1 e 2. A amostra x[2] = 0 não acrescenta outra linha.

Na figura, cada amostra da entrada produz uma cópia de hh deslocada e multiplicada pelo seu valor. Lê uma coluna de cada vez: em n=1n=1, somam-se 11 da primeira cópia e 22 da segunda. A linha da saída soma as contribuições na mesma posição, em vez de multiplicar apenas amostras com índices iguais.

A convolução completa de sequências representadas com comprimentos NN e MM ocupa N+M−1N+M-1 posições. Aqui há cinco posições; a última vale zero porque x[2]=0x[2]=0.

Convolução contínua

O raciocínio equivalente com impulsos de área x(λ)dλx(\lambda)d\lambda dá

y(t)=∫−∞∞x(λ)h(t−λ)dλ.y(t)=\int_{-\infty}^{\infty}x(\lambda)h(t-\lambda)d\lambda.

Para funções causais, x(λ)x(\lambda) exige λ≥0\lambda\ge0 e h(t−λ)h(t-\lambda) exige t−λ≥0t-\lambda\ge0, logo 0≤λ≤t0\le\lambda\le t quando t≥0t\ge0. É a interseção dos suportes que fixa os limites, não uma regra memorizada. Para t<0t<0 não há sobreposição e y=0y=0. Um pulso com fim em TT divide depois a análise em t<Tt<T e t≥Tt\ge T.

Exemplo: pulso num filtro RC

A entrada é x(t)=U0[u(t)−u(t−T)]x(t)=U_0[u(t)-u(t-T)]. Por linearidade com estado inicial nulo, a resposta é a diferença entre duas respostas ao escalão U0(1−e−t/τ)u(t)U_0(1-e^{-t/\tau})u(t) e U0(1−e−(t−T)/τ)u(t−T)U_0(1-e^{-(t-T)/\tau})u(t-T). Para t<0t<0, ambos os termos são zero; para 0≤t<T0\le t<T, só o primeiro contribui;

y(t)=U0(1−e−t/τ);y(t)=U_0(1-e^{-t/\tau});

para t≥Tt\ge T,

y(t)=U0(1−e−T/τ)e−(t−T)/τ.y(t)=U_0(1-e^{-T/\tau})e^{-(t-T)/\tau}.

Durante o pulso, a capacidade carrega; depois, descarrega a partir da tensão atingida em TT. Com U0=5 VU_0=5\,\mathrm V, T=τ=1 msT=\tau=1\,\mathrm{ms}, temos y(T)=3,16 Vy(T)=3{,}16\,\mathrm V e y(2T)=1,16 Vy(2T)=1{,}16\,\mathrm V. As duas expressões dão o mesmo valor na comutação.

Causalidade e estabilidade pela resposta

Um SLIT é causal se h(t)=0h(t)=0 para t<0t<0, ou h[n]=0h[n]=0 para n<0n<0. Para respostas ordinárias, é BIBO estável se ∫∣h(t)∣dt<∞\int|h(t)|dt<\infty, ou ∑∣h[n]∣<∞\sum|h[n]|<\infty. O RC tem integral absoluta um e é estável. O acumulador discreto tem h[n]=u[n]h[n]=u[n], soma infinita e não é estável.

Um ganho instantâneo KK tem h(t)=Kδ(t)h(t)=K\delta(t) e é estável, apesar de exigir interpretar o impulso como distribuição, não usar literalmente a integral de uma função ordinária. Não confundas causalidade com estabilidade: o acumulador é causal e instável.

Interligar sistemas

A convolução é comutativa, associativa e distributiva quando as operações envolvidas estão definidas. Em cascata, heq=h1∗h2h_{\rm eq}=h_1*h_2; em paralelo com soma das saídas, heq=h1+h2h_{\rm eq}=h_1+h_2. O impulso é a identidade, x∗δ=xx*\delta=x.

Dois filtros RC iguais em cascata, sem interação elétrica entre os estágios, têm heq(t)=(t/τ2)e−t/τu(t)h_{\rm eq}(t)=(t/\tau^2)e^{-t/\tau}u(t). Para t≥0t\ge0, o produto dentro do integral é constante em λ\lambda:

heq(t)=∫0t1τ2e−λ/τe−(t−λ)/τdλ=e−t/ττ2∫0tdλ=tτ2e−t/τ.h_{\rm eq}(t)=\int_0^t\frac1{\tau^2}e^{-\lambda/\tau}e^{-(t-\lambda)/\tau}d\lambda =\frac{e^{-t/\tau}}{\tau^2}\int_0^t d\lambda =\frac t{\tau^2}e^{-t/\tau}.

O fator tt é o comprimento da sobreposição dos suportes. Para t<0t<0, não há sobreposição e a resposta é zero. Cascata de blocos matemáticos não garante que dois circuitos físicos ligados diretamente mantenham as respostas individuais: a carga do segundo pode alterar o primeiro.

Com realimentação, a saída regressa à entrada. A resposta em frequência permite resolver a relação por álgebra, mas a estabilidade do conjunto precisa de verificação própria.

Exercícios

Convolução completa e índices da saída

As sequências são zero fora dos índices indicados: x[0]=2x[0]=2, x[1]=1x[1]=1, h[0]=1h[0]=1 e h[1]=2h[1]=2.

Calcula todos os valores não nulos de y=x∗hy=x*h, indicando os índices. Compara y[1]y[1] com o produto ponto a ponto x[1]h[1]x[1]h[1].

Pista

Para cada índice n, escreve quais os k que pertencem aos dois suportes.

Solução

Cada termo exige simultaneamente k∈{0,1}k\in\{0,1\} e n−k∈{0,1}n-k\in\{0,1\}. Só existe sobreposição nos índices de saída n=0,1,2n=0,1,2:

nnParcelasy[n]y[n]
00x[0]h[0]=2(1)x[0]h[0]=2(1)22
11x[0]h[1]+x[1]h[0]=2(2)+1(1)x[0]h[1]+x[1]h[0]=2(2)+1(1)55
22x[1]h[1]=1(2)x[1]h[1]=1(2)22

Fora deste intervalo, a saída é zero. O produto ponto a ponto em n=1n=1 seria 22, não 55: não inclui a contribuição de x[0]x[0] através de h[1]h[1].

Confere a tua resposta:

  • Localiza o suporte da saída em 0, 1 e 2.
  • Obtém [2, 5, 2] e as duas parcelas no índice 1.
  • Distingue convolução de produto ponto a ponto.
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Depois de terminar o pulso

Um RC inicialmente descarregado recebe x(t)=U0[u(t)−u(t−T)]x(t)=U_0[u(t)-u(t-T)]. Dá a saída no condensador para t≥Tt\ge T e justifica a condição inicial da descarga.

Pista

A tensão no condensador não salta ao desligar a fonte.

Solução

Após T, a entrada é zero e o circuito descarrega a partir de y(T)y(T). Assim, y(t)=U0(1−e−T/τ)e−(t−T)/τy(t)=U_0(1-e^{-T/\tau})e^{-(t-T)/\tau} para t≥Tt\ge T. Em T coincide com a expressão de carga e tende para zero.

Confere a tua resposta:

  • Escreve o pulso como diferença de escalões.
  • Obtém carga até T e descarga a partir do valor em T.
  • Confirma continuidade e limite zero.

Erros frequentes

Não reinicies a descarga com U₀, porque o pulso pode terminar antes da carga completa.

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Convolução de exponencial discreta com escalão

Sejam x[n]=αnu[n]x[n]=\alpha^n u[n] e h[n]=u[n]h[n]=u[n], com 0<∣α∣<10<|\alpha|<1. O escalão discreto vale um para n≥0n\ge0. Calcula y[n]=(x∗h)[n]y[n]=(x*h)[n].

Pista

Para cada nn, só há termos com 0≤k≤n0\le k\le n.

Solução

Para n<0n<0 não há sobreposição e y[n]=0y[n]=0. Para n≥0n\ge0, y[n]=(1−αn+1)/(1−α)y[n]=(1-\alpha^{n+1})/(1-\alpha). Para obter a soma S=1+α+⋯+αnS=1+\alpha+\cdots+\alpha^n, multiplica por α\alpha e subtrai: (1−α)S=1−αn+1(1-\alpha)S=1-\alpha^{n+1}. O denominador não é zero no domínio dado.

Confere a tua resposta:

  • Restringe a soma a k entre 0 e n.
  • Soma a progressão geométrica.
  • Dá zero para n menor que zero.

Erros frequentes

Estender a soma a todo kk sem verificar os suportes inclui termos nulos ou divergentes.

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Convolução de exponencial causal com escalão

Sejam x(t)=e−atu(t)x(t)=e^{-at}u(t) e h(t)=u(t)h(t)=u(t), com a>0a>0. Calcula y(t)=(x∗h)(t)y(t)=(x*h)(t).

Pista

A interseção dos suportes dá 0≤λ≤t0\le\lambda\le t.

Solução

Para t<0t<0, y=0y=0. Para t≥0t\ge0, y(t)=(1−e−at)/ay(t)=(1-e^{-at})/a. Em t=0t=0 dá zero, com continuidade, e no limite tende para 1/a1/a, que é a área da exponencial.

Confere a tua resposta:

  • Restringe o integral a 0 e t.
  • Integra a exponencial.
  • Dá zero para t menor que zero.

Erros frequentes

Integrar até infinito em vez de até tt ignora que h(t−λ)h(t-\lambda) é nula para λ>t\lambda>t.

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