Circuitos resistivos
Nós, malhas, fontes ideais, divisores, Thévenin, Norton e potência máxima.
Uma fonte de pode alimentar duas resistências em série e criar uma tensão menor entre elas. Ao ligar uma carga nesse ponto, surge outro caminho para a corrente e a tensão muda. Vamos calcular essa mudança por Kirchhoff e por um equivalente de Thévenin.
Usamos o modelo de parâmetros concentrados: desprezamos o tempo de propagação entre elementos e descrevemos cada um pela tensão e corrente nos seus terminais. Quando esse atraso importar, precisamos de linhas de transmissão.
Nós, ramos e referências
Um nó reúne terminais ligados por condutores ideais. Um ramo liga dois nós e pode conter mais de um elemento. Um anel é um caminho fechado sem repetir nós; numa rede planar, uma malha é um anel sem outros anéis no seu interior. Um cruzamento desenhado só é uma ligação se o esquema o indicar.
Escolhe um nó de referência com potencial zero. Para a tensão de para , usamos . Na convenção passiva, a corrente de referência entra no terminal positivo. Então é a potência absorvida. Uma fonte que entrega energia tem potência absorvida negativa.
Uma fonte ideal de tensão fixa e deixa a corrente ser determinada pela rede. Uma fonte ideal de corrente fixa e deixa a tensão ser determinada pela rede. Fontes ideais de tensões diferentes em paralelo, ou correntes diferentes em série, impõem condições incompatíveis.
Leis de Kirchhoff
A lei dos nós é , com sinais coerentes: não há acumulação de carga no nó ideal. A lei das malhas é ao longo de um caminho fechado orientado. Fluxos magnéticos variáveis externos não modelados podem invalidar esta aplicação direta, porque o modelo não os inclui. Os efeitos próprios de uma bobina já estão no seu modelo de tensão.
Um resultado negativo só indica que o sentido real é oposto ao de referência. Não troques os sinais a meio das equações para o evitar.
Série, paralelo e divisores
Resistências em série transportam a mesma corrente, sem derivações no nó intermédio: . Resistências em paralelo partilham os dois nós: .
Para em série com fonte , a tensão em é . Com carga ligada em paralelo com , substitui por . O divisor sem carga não promete manter a tensão quando ligamos um dispositivo.
Em dois ramos paralelos, . O ramo de menor resistência recebe mais corrente. Numa ponte de Wheatstone com dois divisores e , os pontos médios ficam ao mesmo potencial quando , logo a corrente entre eles é zero.
Limites de potência dos resistores
A resistência equivalente conserva a relação entre tensão e corrente nos terminais. Não identifica, sozinha, qual componente atinge primeiro o seu limite térmico. Para resistores em série, a corrente é comum e cada potência nominal impõe :
Dois resistores de e , ambos classificados para , têm . O segundo limita a corrente a . Nessa corrente, o primeiro dissipa e o segundo : o conjunto suporta neste modelo, não a soma das classificações.
Em paralelo, a tensão é comum e usa-se . Temperatura e montagem também condicionam as classificações reais. Confere o limite de cada ramo antes de usar a potência total.
Método dos nós
Num nó desconhecido , ligado a uma fonte de por e à terra por duas resistências de , escrevemos as correntes a sair:
Multiplicar por dá , logo . A corrente da fonte para o nó é ; cada ramo para a terra recebe . As correntes fecham.
Método das malhas
Numa rede planar, atribui uma corrente por malha, por exemplo todas horárias, e marca no esquema o sentido de cada malha antes de escrever equações. Num resistor partilhado por duas malhas, a corrente de ramo é a diferença das correntes de malha, com o sinal dado pelos sentidos marcados.
Percorre cada malha no seu sentido e soma quedas na convenção passiva: ao atravessar a fonte do para o , em cada resistor no sentido do percurso, com o resistor comum a ver .
Considera duas malhas: a esquerda tem fonte e resistor exclusivo ; a direita tem resistor exclusivo , sem fonte. Partilham . Para correntes horárias ,
A segunda dá . A primeira dá e . O resistor comum conduz . As potências são , e , que somam os fornecidos.
Uma fonte de corrente entre malhas pede uma equação adicional de corrente, não uma queda de tensão inventada.
Thévenin e Norton
Uma rede linear vista de um porto, um par de terminais com correntes iguais e opostas, pode ser substituída por:
- Thévenin: tensão em aberto em série com .
- Norton: corrente de curto-circuito em paralelo com , com na orientação coerente.
Para calcular , anula apenas fontes independentes: tensão ideal vira curto e corrente ideal vira aberto. Se existirem fontes dependentes, mantém-nas e aplica uma fonte de teste. A sobreposição também anula as outras fontes independentes para calcular uma contribuição; aplica-se a tensões e correntes, não diretamente a potências.
Retomamos o circuito do método dos nós e vemos a rede pelos terminais A e B. Sem a carga de , . Anulando a fonte, . Logo .
Com a carga, e . A potência na carga é . Na rede original, a fonte fornece e os resistores dissipam . Esta verificação usa um cálculo diferente do equivalente.
Potência máxima
Para uma fonte de Thévenin fixa e carga resistiva positiva,
A derivada em anula-se em , onde . No exemplo, dá . No equivalente de Thévenin, dissipa a mesma potência que a carga. A eficiência desse circuito equivalente é , mas o equivalente conserva o comportamento nos terminais, não a potência interna da rede original.
Na rede desenhada, com a carga ótima , a tensão de saída é . A fonte original entrega ; , e a carga dissipam , e . A eficiência original é . Máxima potência entregue não é máxima eficiência.
Uma fonte de tensão aproxima-se do ideal quando . Uma fonte de corrente aproxima-se do ideal quando . A condição depende da carga e da tolerância aceitável.
Exercícios
Ligar uma carga ao divisor
Uma fonte de alimenta em série com . Ligamos uma carga em paralelo com R₂. Calcula a tensão na carga.
Pista
Antes do divisor, simplifica o paralelo inferior.
Solução
O divisor carregado tem em cima e em baixo: . Sem carga daria , por isso a carga altera a saída.
Erros frequentes
Aplicar o divisor original sem incluir a carga ignora uma corrente de ramo.
Escolher a carga para potência máxima
Uma fonte de Thévenin tem e . Escolhemos a carga resistiva que maximiza a potência entregue. Quanto vale essa potência em mW?
Pista
A carga ótima iguala a resistência interna positiva.
Solução
A carga é e . A tensão na carga é , confirmando . A resistência interna dissipa a mesma potência.
Erros frequentes
Igualar resistências maximiza potência, mas não eficiência.
Correntes de malha e balanço de potência
Uma fonte ideal mantém o nó a em relação ao retorno . Uma resistência de liga a . Entre e há dois ramos, um de e outro de .
Desenha o circuito com o ramo de ao centro. Define corrente horária na malha da fonte e na malha entre os dois ramos. Calcula as correntes de malha, a corrente descendente no resistor central e a potência fornecida e dissipada.
Pista
Marca no desenho os dois sentidos no ramo central antes de escrever a sua queda.
Solução
No ramo central, desce e sobe; a corrente descendente é . Kirchhoff dá
A segunda equação dá . Substituir na primeira dá , logo e . O ramo central conduz para .
As potências são no resistor de entrada, no central e no direito. Somam , iguais aos fornecidos. O potencial também dá no ramo direito.
Confere a tua resposta:
- Escreve as quedas no resistor comum com i1 − i2.
- Obtém i1 = 3 A, i2 = 1 A e corrente comum 2 A.
- Verifica que as potências dissipadas somam 30 W.
A potência que o conjunto suporta
Dois resistores de e são ligados em série. Cada um suporta no máximo nas condições da montagem. Trata as resistências como constantes.
Calcula a corrente máxima, a tensão total correspondente e a potência máxima do conjunto sem exceder nenhum limite individual.
Pista
A corrente é comum. Impõe o limite de potência separadamente a cada resistor.
Solução
As restrições são e . A segunda é mais apertada, dando .
A tensão total é . As potências são e . A soma dá , também igual a .
O resistor menor ainda não atingiu a sua classificação quando o maior chegou ao limite. A potência equivalente não pode usar toda a margem dos dois componentes simultaneamente.
Confere a tua resposta:
- Obtém corrente máxima de 5 mA pelo resistor de 10 kΩ.
- Obtém potências de 0,05 W e 0,25 W.
- Obtém limite total de 0,30 W e explica por que não é 0,50 W.