Avaliação de usabilidade
Escolher inspeção, walkthrough ou teste de tarefas; medir sucesso e interpretar falhas.
O botão “Continuar” cria uma reserva paga sem mostrar o preço: uma inspeção por avaliadores pode identificar a consequência mal comunicada antes de testar com pessoas. Para saber se novos utilizadores descobrem o percurso e compreendem o compromisso, precisamos de uma análise da aprendizagem ou de observar tarefas.
Formativa e sumativa
A avaliação formativa procura melhorar o desenho durante o desenvolvimento, enquanto a sumativa avalia resultados face a objetivos, por exemplo comparando taxas de sucesso no fim de uma iteração. O mesmo método pode contribuir para ambos os fins: “com utilizadores” não é sinónimo de sumativa.
| Método | Participantes | Evidência principal | Limite |
|---|---|---|---|
| Avaliação heurística | Avaliadores | Violações de princípios e gravidade proposta | Não observa uso real |
| Cognitive walkthrough | Avaliadores | Barreiras à aprendizagem em passos definidos | Depende das hipóteses sobre novos utilizadores |
| Teste de usabilidade | Utilizadores representativos | Comportamento e resultados em tarefas | Amostra, contexto e tarefas delimitam conclusões |
| Estudo de campo | Pessoas no contexto real | Atividades, adaptações e condições | Menos controlo sobre outras variáveis |
| Modelo preditivo | Analista | Previsão sob hipóteses, como KLM | Não demonstra satisfação ou descoberta |
Avaliação heurística
Define os ecrãs e tarefas, inspeciona com os princípios escolhidos, regista problemas concretos e junta os resultados; avaliadores independentes podem encontrar falhas diferentes.
A quantidade adequada depende da diversidade do sistema, dos avaliadores e do objetivo, não de um número que garanta cobertura total.
Um problema deve incluir localização, comportamento observado, princípio, consequência e gravidade. Preenche sempre estes cinco campos:
- Ecrã de revisão, botão “Continuar”.
- Ao ativar, cria uma reserva paga sem mostrar preço.
- Viola correspondência com o mundo real e prevenção de erros.
- A pessoa compromete dinheiro sem o antecipar.
- Gravidade 4: problema catastrófico para a tarefa de pagamento.
Uma escala possível vai de 0, não é problema, a 4, problema catastrófico: os níveis intermédios distinguem incómodo cosmético, problema menor com solução alternativa e problema grave sem saída fácil.
Frequência, impacto e persistência informam a classificação; não são obrigatoriamente uma multiplicação.
“Botão pouco bonito” não descreve um problema de usabilidade, enquanto “O botão que confirma pagamento tem a mesma etiqueta do que apenas avança; o utilizador não consegue antecipar a consequência” descreve uma falha verificável.
Cognitive walkthrough
Escolhe o perfil, conhecimentos prévios, tarefa e sequência correta. Em cada passo, os avaliadores respondem:
- A pessoa tentará atingir o resultado necessário neste passo?
- Reparará que a ação correta está disponível?
- Associará essa ação ao resultado pretendido?
- Depois da ação, perceberá o progresso em direção ao objetivo?
Segue um walkthrough completo para a tarefa “reservar a sala B101 para amanhã entre as 14 e as 15”, com o perfil de estudante que nunca usou a aplicação, respondendo às quatro perguntas em cada passo.
Passo 1, ecrã de escolha: a pessoa quer reservar para o grupo e tenta escolher sala e horário; o seletor está visível no topo, por isso repara na ação; a etiqueta “Escolher sala” corresponde ao objetivo, por isso associa-a; depois de escolher, o resumo mostra sala e horário, por isso percebe o progresso. Este passo passa.
Passo 2, botão “Rever reserva”: a pessoa quer confirmar antes de pagar e tenta avançar; o botão está junto da escolha, por isso repara nele. Mas “Rever” pode ler-se como confirmação final, por isso aqui a terceira pergunta falha. Propomos “Rever dados e preço”, que distingue rever de pagar, e repetimos o passo com o mesmo perfil.
Passo 3, ecrã de revisão: a pessoa quer concluir a reserva, repara no botão “Pagar e reservar” e liga a etiqueta ao compromisso, depois de conferir sala, horário e preço. A terceira pergunta passa.
Ao ativar, precisa de perceber o estado “A enviar” e, só depois, a confirmação com a referência da reserva. A quarta pergunta passa se estes estados distinguirem processamento de conclusão; a ausência de confirmação faria essa pergunta falhar.
Esta inspeção prevê dificuldades de aprendizagem, mas não equivale a observar participantes reais.
Teste de tarefas
Define sucesso antes da sessão; escolhe participantes que representem o público e tarefas específicas sem indicar o percurso. Faz um piloto para verificar instruções, equipamento e registo, e explica que estás a avaliar o sistema, não a competência da pessoa.
Um protocolo mínimo regista: tarefa com resultado verificável, critério de sucesso, ajuda permitida, limite de tempo, equipamento e o que observar; por exemplo, “reserva a sala indicada para amanhã 14 às 15; sucesso sem ajuda; limite 180 s; regista cliques, pedidos de ajuda e declarações sobre o fim da tarefa”.
Podes pedir think aloud para conhecer o raciocínio, com instruções neutras como “O que estás a pensar?”. Falar pode alterar tempos e comportamento, por isso uma tarefa com verbalização não é automaticamente uma medida de velocidade natural.
O vídeo mostra instruções que ajudam a pessoa a pensar em voz alta sem ensinar o percurso; anota a diferença entre pedir verbalização e sugerir a ação correta.
Se for necessário ajudar, regista o momento e o tipo de ajuda: um sucesso com ajuda não se mistura com sucesso sem ajuda. Numa avaliação formativa, a ajuda pode permitir continuar a investigar outras etapas, mas não apaga a falha anterior.
Exemplo com sucesso e tempo
Cinco participantes tentam reservar uma sala, com a regra de sucesso de escolher a sala e horário pedidos e confirmar sem ajuda; o limite de observação é 180 s.
| Participante | Sucesso sem ajuda | Tempo observado |
|---|---|---|
| A | Sim | 42 s |
| B | Sim | 50 s |
| C | Sim | 48 s |
| D | Sim | 55 s |
| E | Não | Parou no limite de 180 s |
A taxa de sucesso é . A média dos tempos das quatro conclusões é s, e o 180 de E não é tempo de conclusão.
Se calculássemos a média dos tempos observados obteríamos 75 s, uma medida diferente que inclui o limite do ensaio falhado.
Com cinco pessoas, 80% descreve esta amostra, não garante 80% na população. Pequenas rondas formativas podem encontrar problemas importantes, mas não demonstram que a interface não tem outras falhas.
Cinco pessoas encontram o quê
A regra dos cinco utilizadores é uma expectativa de um modelo de descoberta, não uma garantia de cobertura. O modelo escreve a proporção esperada de problemas encontrados com participantes como . Assume descobertas independentes com probabilidade constante por problema e participante. O valor é um parâmetro estimado em projetos estudados por Nielsen e Landauer, não uma condição suficiente que valha em qualquer sistema.
A condição da fonte original é explícita: a fórmula só vale para utilizadores comparáveis que usam o sistema de formas semelhantes. Crianças e pais, ou agentes de compras e comerciais, são grupos distintos e pedem participantes de cada grupo: três a quatro por grupo com dois grupos, três por grupo com três ou mais.
Dois resultados primários mostram por que a condição importa. Faulkner testou 60 pessoas numa aplicação de folhas de tempo e sorteou grupos de cinco em 100 simulações: a média ficou nos 85%, mas cada grupo encontrou entre 55% e quase 100% dos problemas. Com dez participantes, a média subiu para 95% e nenhum grupo ficou abaixo de 82%.
Spool e Schroeder observaram 49 pessoas a comprar em quatro lojas reais e identificaram 378 obstáculos. A descoberta média por pessoa não passou de 0,16, muito abaixo dos 0,31 do modelo original, e ao fim de cinco testes só cerca de 35% dos problemas tinham aparecido. Nas lojas estudadas, cinco utilizadores não chegavam aos 85%.
A percentagem conta problemas do sistema, não pessoas da população.
Usa cinco como paragem para corrigir e voltar a testar, não como prova. Três estudos com cinco participantes comparáveis, com redesenho entre rondas, melhoram mais do que um único estudo com quinze, porque cada ronda testa se as correções funcionaram e revela problemas que a camada anterior escondia.
Para perguntas de medição, como taxa de sucesso na população ou comparação de duas versões, cinco não chegam; aí o tamanho depende da precisão e da análise planeada.
Do problema à nova avaliação
Conserva dados suficientes para comparar as condições, porque uma taxa melhor com tarefas mais fáceis ou pessoas mais experientes não demonstra que a alteração foi a causa; avalia com tarefas comparáveis, o mesmo critério de sucesso e participantes do perfil definido. Se repetires com as mesmas pessoas, controla a aprendizagem e a ordem como no desenho experimental.
Exercícios
Quem concluiu sem ajuda?
De oito participantes, cinco concluem corretamente sem ajuda, dois concluem depois de uma pista e um não conclui. Qual percentagem de sucesso sem ajuda?
Pista
Aplica o critério definido, sem misturar assistência.
Solução
. Os dois sucessos assistidos regista-os separadamente.
Erros frequentes
Não excluir a pessoa que falhou do denominador nem contar ajuda como sucesso independente.
Rever não é confirmar
Num walkthrough da reserva, os avaliadores preveem que o perfil definido reparará no botão “Rever reserva”, mas o lerá como confirmação final em vez de revisão antes de pagar. Qual pergunta falha? Como a distinguir da anterior?
Pista
Ver um controlo e saber para que serve são passos distintos.
Mais uma pista
A segunda pergunta trata descoberta; a terceira trata significado para o objetivo.
Solução
A ação foi notada, por isso essa parte pode passar. Falha a associação ao resultado: a pessoa não liga “Rever” a rever dados e preço antes de pagar. Uma etiqueta como “Rever dados e preço” pode ajudar, mas a proposta deve ser reavaliada no perfil definido.
Confere a tua resposta:
- Identifica associação da ação ao resultado, terceira pergunta.
- Distingue reparou na ação, segunda pergunta.
- Propõe significante/etiqueta e nova avaliação fundamentada.
Erros frequentes
Não concluir que um controlo visível é automaticamente compreensível.
Continuar depois da falha
Num teste formativo, a pessoa não encontra Confirmar. O moderador mostra o botão para poder estudar a mensagem final. Como registar e interpretar a sessão?
Pista
A ajuda não apaga o comportamento anterior.
Solução
Regista o bloqueio, a pista e o comportamento posterior. A tarefa falhou o critério independente, mas a sessão pode continuar a produzir informação formativa sobre a confirmação. Se medir tempos, separa as etapas e a intervenção.
Confere a tua resposta:
- Mantém a falha de descoberta.
- Regista a intervenção e não conta sucesso final como sem ajuda.
- Pode usar observações posteriores com o limite de assistência declarado.
Erros frequentes
Não declarar a sessão toda sem valor nem transformá-la em sucesso autónomo.
Priorizar problemas com evidência
Uma inspeção regista dois problemas. No ecrã de pagamento, “Continuar” cobra sem mostrar preço nem permitir desfazer. No catálogo, uma opção de ordenação rara tem a etiqueta cortada, mas o nome completo aparece ao abri-la. Ainda não há dados sobre frequência de uso.
Preenche localização, comportamento, princípio e consequência para ambos. Propõe uma prioridade justificada e explica o que falta para fundamentar a gravidade.
Solução
No pagamento, a etiqueta sugere avanço e executa uma cobrança sem revisão. Afeta correspondência, prevenção e controlo; a consequência pode ser um compromisso financeiro não antecipado e sem saída. No catálogo, a etiqueta cortada dificulta reconhecer uma opção, mas há uma forma de consultar o nome; o impacto e a persistência aparentam ser menores.
Daria prioridade ao pagamento pelo risco e ausência de recuperação. Uma gravidade elevada, eventualmente 4 na escala usada, precisa de explicitar esse critério. Falta conhecer frequência, custos efetivos e possibilidades de apoio. Para o catálogo, verifica se a opção é necessária em tarefas importantes e se a alternativa é descobrível. Não inventes números de utilização nem uses a escala como resultado de uma conta automática.
Confere a tua resposta:
- Descreve o compromisso financeiro não antecipado e o problema recuperável da etiqueta.
- Prioriza pelo impacto e recuperação sem inventar frequência observada.
- Trata gravidade como classificação fundamentada, indicando evidência em falta.
O que 85% quer dizer
Assume o modelo de descoberta com constante e participantes independentes. Calcula a proporção esperada de problemas encontrados com cinco participantes. Explica o que esse valor afirma e três limites para o usar.
Pista
Aplica com .
Mais uma pista
Pergunta a que conjunto pertence o denominador da percentagem.
Solução
, cerca de 85%. O denominador são os problemas do sistema disponíveis para descoberta neste modelo, não as pessoas da população. Vale para utilizadores comparáveis com usos semelhantes; crianças e pais, por exemplo, pedem participantes de cada grupo.
é uma estimativa média de projetos estudados, não uma propriedade garantida desta interface. Grupos concretos de cinco variaram entre cerca de 55% e quase 100% numa simulação, e sistemas com descoberta média baixa ficaram pelos 35%. Usa o resultado para decidir parar, corrigir e voltar a testar, não para declarar medição populacional ou ausência de falhas.
Confere a tua resposta:
- Calcula 1 menos (1 menos 0,31) elevado a 5, cerca de 85% de problemas esperados.
- Diz que o denominador são problemas do sistema, não pessoas da população.
- Exige utilizadores comparáveis e tarefas semelhantes; grupos distintos pedem participantes por grupo.
- Trata p como parâmetro estimado do modelo, não garantia universal, e propõe iterar com redesenho.
Erros frequentes
Não ler 85% como 85% das pessoas conseguem a tarefa nem como prova de que restam 15%.
