Conteúdos da cadeira

Amostragem e Teorema do Limite Central

Amostragem aleatória, distribuição da média amostral e a aproximação normal para amostras grandes.

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Até aqui modelámos populações inteiras. Na prática observas uma amostra e queres concluir sobre a população. Esta página faz a ponte: o que se pode esperar da média de uma amostra e o teorema que justifica tratar essa média como normal mesmo quando os dados originais não são.

Amostragem aleatória

Uma amostra aleatória X1,,XnX_1, \dots, X_n são nn observações independentes da mesma distribuição, a da população com média μ\mu e variância σ2\sigma^2. “Aleatória” aqui tem sentido técnico: cada elemento da população tem a mesma hipótese de entrar, e entrar um não influencia entrar outro. Sem isto, tudo o que se segue colapsa: uma amostra enviesada (só medir o servidor de madrugada) estima a população errada com precisão crescente.

A média amostral Xˉ=1nXi\bar{X} = \frac{1}{n}\sum X_i é ela própria uma variável aleatória: cada amostra dá um valor diferente. Tem média E[Xˉ]=μE[\bar{X}] = \mu (não tem viés) e variância Var(Xˉ)=σ2/nVar(\bar{X}) = \sigma^2/n. O desvio padrão da média, σ/n\sigma/\sqrt{n}, chama-se erro padrão e mede quanto a média de uma amostra salta de amostra para amostra. Duplicar a precisão exige quadruplicar a amostra, porque o erro cai com n\sqrt{n}.

Teorema do Limite Central

O resultado central da cadeira: para nn grande, a média amostral é aproximadamente normal, qualquer que seja a distribuição da população:

Xˉ  ˙  N(μ,σ2n).\bar{X} \;\dot{\sim}\; N\left(\mu, \frac{\sigma^2}{n}\right).

Regra prática: n30n \ge 30 chega na maioria dos casos; se a população for muito assimétrica, pede-se mais. Repara no que o teorema não diz: não diz que os dados ficam normais (o histograma da amostra continua com a forma original), diz que a média fica normal. É uma afirmação sobre a distribuição amostral da estatística, não sobre os dados.

Intuição rápida: cada observação é um “empurrão” aleatório em torno de μ\mu; somar muitos empurrões independentes dilui as assimetrias e o total comporta-se como uma soma de muitos efeitos pequenos, que é exatamente o regime da normal. Se a população já for normal, a média é exatamente normal para qualquer nn, sem aproximação.

Exemplo: média de 100 medições de latência

A latência de um serviço tem média populacional μ=48\mu = 48 ms e desvio σ=12\sigma = 12 ms, com distribuição desconhecida e assimétrica. Recolhem-se n=100n = 100 medições. Qual a probabilidade de a média amostral sair mais de 2 ms longe de 48?

Com n=10030n = 100 \ge 30, o Teorema do Limite Central aplica-se: Xˉ˙N(48;122/100)\bar{X} \dot{\sim} N(48; 12^2/100), ou seja, desvio σ/n=12/10=1,2\sigma/\sqrt{n} = 12/10 = 1{,}2 ms. Padronizando a margem:

P(Xˉ48>2)P(Z>21,2)=P(Z>1,67)=2(1Φ(1,67))2×0,0475=0,095.P(|\bar{X} - 48| > 2) \approx P\left(|Z| > \frac{2}{1{,}2}\right) = P(|Z| > 1{,}67) = 2(1 - \Phi(1{,}67)) \approx 2 \times 0{,}0475 = 0{,}095.

Cerca de 9,5 por cento. Mesmo sem saber a forma da distribuição original, a média de 100 observações comporta-se de forma previsível. E nota a ligação com os integrais de probabilidades contínuas: a área nas caudas é a resposta, e a padronização é o que permite lê-la na tabela.

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