Probabilidades e Teorema de Bayes
Espaços amostrais, probabilidade condicional, independência e a inversão de Bayes com o exemplo do teste de diagnóstico.
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A descritiva resume o que aconteceu. As probabilidades quantificam o que pode acontecer: atribuem números entre 0 e 1 aos resultados possíveis de uma experiência aleatória. Esta página dá as regras desse cálculo e a ferramenta mais traiçoeira da cadeira, o Teorema de Bayes, que inverte probabilidades condicionadas.
Espaço amostral e acontecimentos
Uma experiência aleatória tem resultado incerto mas conjunto de resultados possíveis conhecido. O espaço amostral é esse conjunto; um acontecimento é um subconjunto de . Lançar um dado: ; “sair par” é o acontecimento .
Como os acontecimentos são conjuntos, tudo o que aprendeste sobre operações com conjuntos aplica-se diretamente: “A ou B” é , “A e B” é , “não A” é o complementar . A probabilidade respeita três axiomas: para todo o acontecimento, , e acontecimentos disjuntos somam, se .
Duas consequências que vais usar sem parar:
- Complementar: .
- União geral: , porque a interseção foi contada duas vezes.
Probabilidade condicional e independência
Saber que aconteceu muda a probabilidade de . A probabilidade condicional é:
Lê-se “probabilidade de dado ”: restringes o universo a e medes lá dentro. Daqui sai a regra da multiplicação, , que encadeia condicionadas em sequência (útil em diagramas de árvore).
Dois acontecimentos são independentes quando saber um não muda o outro: , ou equivalentemente . Atenção à distinção que mais chumba: disjuntos (, não podem ocorrer juntos) não é o mesmo que independentes (a ocorrência de um não informa o outro). Dois acontecimentos disjuntos com probabilidade positiva nunca são independentes, porque saber que um ocorreu diz-te que o outro não ocorreu.
Teorema da Probabilidade Total e Bayes
Se partem (disjuntos e cobrindo tudo), qualquer acontecimento decompõe-se por eles:
É o Teorema da Probabilidade Total: calcula pesando cada cenário. Combinado com a definição de condicional, dá o Teorema de Bayes:
Bayes inverte a seta: conheces (o teste dispara quando há doença) e queres (há doença quando o teste dispara). Confundir uma com a outra é a falácia da taxa base, e o exemplo seguinte mostra como ela morde.
Exemplo: o teste de diagnóstico
Um teste deteta uma doença com sensibilidade e especificidade , logo a taxa de falsos positivos é . A doença afeta 1 por cento da população: . Um utente testa positivo. Qual a probabilidade de estar doente, ?
Primeiro a probabilidade total de um positivo:
Depois Bayes:
Só 16,7 por cento. Apesar de o teste acertar 99 por cento dos doentes, a doença é tão rara que os falsos positivos (5 por cento de 99 por cento de saudáveis) afogam os verdadeiros. A intuição diz “99 por cento de certeza”; a conta diz “1 em 6”. É por isso que rastreios positivos pedem sempre um segundo teste: a taxa base manda mais do que a precisão do teste.