Qui-quadrado e testes não paramétricos
Testes de ajustamento, homogeneidade e independência pelo qui-quadrado, com uma tabela de contingência resolvida.
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Os testes comparam médias de dados numéricos. Mas e perguntas como “o dispositivo influencia a conversão?” ou “estes dados seguem uma binomial?”. Quando os dados são qualitativos (contagens em categorias), a estatística de trabalho é o qui-quadrado, que compara frequências observadas com frequências esperadas sob a hipótese.
A estatística qui-quadrado
Para categorias com contagens observadas e contadas esperadas sob :
Cada parcela é o desvio ao quadrado relativizado pelo tamanho esperado: um desvio de 12 pesa mais quando esperavas 38 do que quando esperavas 57. Sob esta estatística segue aproximadamente uma distribuição com os graus de liberdade próprios de cada teste. A região crítica é sempre unilateral à direita (valores grandes significam mau ajuste), e a aproximação exige frequências esperadas de pelo menos 5 em (quase) todas as células.
Três testes, uma fórmula
- Ajustamento (goodness of fit): os dados seguem uma distribuição proposta? fixa as probabilidades de cada categoria (), com graus de liberdade (menos os parâmetros que tiveres de estimar).
- Independência: duas variáveis qualitativas são independentes? Numa tabela , dá , com graus de liberdade.
- Homogeneidade: várias populações têm a mesma distribuição da variável? Mesma conta da independência, mas o desenho amostral difere (amostras separadas por população em vez de uma amostra classificada em duas variáveis).
Exemplo: o dispositivo influencia a conversão?
Duzentos utilizadores classificados por dispositivo e conversão:
| Converteu | Não converteu | Total | |
|---|---|---|---|
| Telemóvel | 45 | 75 | 120 |
| Computador | 50 | 30 | 80 |
| Total | 95 | 105 | 200 |
: dispositivo e conversão são independentes. As esperadas sob : telemóvel e converteu, ; telemóvel e não, ; computador e converteu, ; computador e não, . Todas acima de 5, por isso a aproximação vale.
Com grau de liberdade, o valor crítico a 5 por cento é 3,84. Como , rejeita-se a independência: os dados dão evidência de que a taxa de conversão depende do dispositivo (no computador, 50 em 80; no telemóvel, 45 em 120). Repara que o teste diz que há associação, não porquê: explicar a causa já é trabalho de produto, não de estatística.
A ideia dos testes não paramétricos
Os testes assumem populações normais (ou amostras grandes pelo Teorema do Limite Central). Quando a amostra é pequena e a normalidade é indefensável, os testes não paramétricos dispensam a distribuição: trabalham com ordens (ranks) ou sinais em vez dos valores. O teste dos sinais, por exemplo, decide sobre a mediana contando quantas observações ficam acima do valor de referência e comparando com uma binomial de . Pagam a robustez com menos potência: se a normalidade valer, o deteta mais. A regra de bolso fecha a cadeira: dados numéricos e condições verificadas, testes paramétricos; o resto, qui-quadrado para categorias e não paramétricos para o resto.