Conteúdos da cadeira

Testes de hipóteses

Hipóteses nula e alternativa, erros tipo I e II, valor p e testes t para médias com exemplo completo.

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O intervalo estima; o teste de hipóteses decide. Perante “a latência média difere de 50 ms?”, formulas duas hipóteses rivais, medes quão longe os dados estão da hipótese de referência e decides com uma regra fixada antes de ver os dados. Esta página monta esse procedimento e liga-o aos intervalos da página anterior.

As peças do teste

  • Hipótese nula H0H_0: a afirmação de referência, sempre com igualdade ("μ=50\mu = 50"). É a que se presume até prova em contrário.
  • Hipótese alternativa H1H_1: o que queres estabelecer ("μ50\mu \ne 50" bilateral, "μ>50\mu > 50" ou "μ<50\mu < 50" unilaterais). O tipo sai do enunciado: “difere” é bilateral, “aumentou” é unilateral à direita.
  • Estatística de teste: mede o afastamento dos dados em relação a H0H_0, numa escala tabelada. Para a média com desvio desconhecido: t=(xˉμ0)/(s/n)t = (\bar{x} - \mu_0)/(s/\sqrt{n}), com n1n - 1 graus de liberdade sob H0H_0.
  • Nível de significância α\alpha: a probabilidade de erro tipo I que aceitas, tipicamente 0,05. Fixa-se antes, nunca depois de ver os dados.

Há dois erros possíveis. O erro tipo I rejeita H0H_0 quando ela é verdadeira (falso alarme), com probabilidade α\alpha. O erro tipo II não rejeita H0H_0 quando ela é falsa (deteção falhada), com probabilidade β\beta. A potência 1β1 - \beta é a capacidade de detetar um efeito real. Baixar α\alpha sem aumentar nn sobe β\beta: com a mesma amostra, és mais exigente num erro e mais permissivo no outro.

Região crítica e valor p

Duas formas equivalentes de decidir. Pela região crítica: rejeita H0H_0 se a estatística cair na zona extrema da tabela (para o tt bilateral a 5 por cento com 15 graus de liberdade, t>2,131|t| > 2{,}131). Pelo valor p: a probabilidade, sob H0H_0, de observar dados tão ou mais extremos que os obtidos; rejeita se p<αp < \alpha. O valor p não é a probabilidade de H0H_0 ser verdadeira: é uma medida de compatibilidade dos dados com H0H_0.

Exemplo: a latência difere de 50 ms?

Dezasseis medições dão xˉ=47,1\bar{x} = 47{,}1 ms e s=5,2s = 5{,}2 ms. Testa H0:μ=50H_0: \mu = 50 contra H1:μ50H_1: \mu \ne 50 (α=0,05\alpha = 0{,}05).

A estatística: t=(47,150)/(5,2/16)=2,9/1,32,23t = (47{,}1 - 50)/(5{,}2/\sqrt{16}) = -2{,}9/1{,}3 \approx -2{,}23, com 15 graus de liberdade. O valor crítico bilateral é ±2,131\pm 2{,}131; como 2,23>2,131|-2{,}23| > 2{,}131, rejeita-se H0H_0 a 5 por cento: os dados dão evidência de que a média difere de 50 ms. O valor p é 2×P(T15>2,23)0,0412 \times P(T_{15} > 2{,}23) \approx 0{,}041, consistente com a rejeição a α=0,05\alpha = 0{,}05.

A ligação com intervalos

Um teste bilateral a nível α\alpha rejeita H0:μ=μ0H_0: \mu = \mu_0 exatamente quando μ0\mu_0 fica fora do intervalo de confiança a 1α1 - \alpha. Confere com o exemplo: o intervalo a 95 por cento é 47,1±2,131×1,3=47,1±2,77=(44,33;  49,87)47{,}1 \pm 2{,}131 \times 1{,}3 = 47{,}1 \pm 2{,}77 = (44{,}33;\; 49{,}87), que não contém o 50, logo rejeita. Esta dualidade é um teste de sanidade gratuito: se o teu teste e o teu intervalo discordarem, um dos dois tem erro de contas. É também a resposta pronta quando o enunciado pergunta pelo teste “a partir do intervalo”.

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