Dados bivariados
Tabelas de dupla entrada, proporções condicionais, dispersão, covariância e correlação.
Em cada execução, regista o tamanho da tarefa e o tempo gasto. Cada execução dá um par . Preservar os pares é essencial: ordenar cada coluna separadamente inventa relações que não foram observadas.
Duas variáveis categóricas
Uma tabela de dupla entrada conta cada combinação. Os totais das linhas e colunas são as frequências marginais. Para comparar grupos de tamanhos diferentes, calcula proporções dentro de cada grupo.
| Grupo | Falhou | Não falhou | Total |
|---|---|---|---|
| A | 12 | 48 | 60 |
| B | 18 | 22 | 40 |
| Total | 30 | 70 | 100 |
A proporção global de falhas é ; no grupo A é e no grupo B é . Embora B tenha menos unidades, a sua proporção de falhas é maior. Já é a proporção de unidades que pertencem a A e falharam; o denominador muda a pergunta. Um gráfico de barras com proporções por grupo permite comparar distribuições. Os valores observados sugerem uma associação. Um teste de independência avalia essa evidência sob um modelo amostral.
Uma variável quantitativa e uma categórica
Compara a variável quantitativa entre categorias usando caixas lado a lado na mesma escala. Observa centro, dispersão, assimetria e valores afastados. Caixas sobrepostas não demonstram igualdade de médias; caixas separadas não substituem um teste.
Se as categorias são «antes» e «depois» para as mesmas unidades, a tabela contém pares. Mostra também as diferenças individuais. Uma comparação que ignora o emparelhamento pode esconder uma alteração consistente.
Duas variáveis quantitativas
Um diagrama de dispersão coloca os pares no plano. Procura direção, forma, grupos e extremos antes de resumir a relação por um coeficiente.
A covariância amostral mede se os desvios em relação às médias tendem a ter o mesmo sinal:
Covariância positiva sugere que valores acima da média de X acompanham valores acima da média de Y. Uma covariância negativa sugere sentidos opostos. A sua unidade é o produto das duas unidades e o valor muda quando se muda de escala. Para ver o sinal, centra cada coluna na média e multiplica os desvios de cada par. A soma destes produtos dá o numerador da covariância.
A correlação de Pearson remove a escala:
É definida quando os dois desvios são positivos. ou corresponde a uma relação linear perfeita com declive positivo ou negativo. Valores próximos de zero indicam pouca associação linear, mas podem coexistir com uma relação curva forte.
Cálculo da covariância e correlação
Considera . Temos , , , e .
Os produtos dos desvios mostram a origem do numerador:
| Par | Produto | ||
|---|---|---|---|
| (1,2) | −1,5 | −3 | 4,5 |
| (2,4) | −0,5 | −1 | 0,5 |
| (3,5) | 0,5 | 0 | 0 |
| (4,9) | 1,5 | 4 | 6 |
A soma é 11. Assim,
Assim,
Há uma associação linear positiva forte nesta amostra. Não concluímos que aumentar X cause Y. Pode existir um fator comum, uma seleção particular de unidades ou uma relação causal no sentido inverso.
Converter X de metros em centímetros multiplica a sua covariância com Y por 100 e o seu desvio por 100, deixando igual. Multiplicar X por um número negativo troca o sinal de . Somar constantes às colunas não altera a covariância nem a correlação.
Quando zero não significa ausência de relação
A figura compara os quatro pares usados na conta com e . No segundo caso, e . Os produtos centrados são : somam zero. Como ambos os desvios são positivos, , embora Y seja completamente determinado por X.
Exercícios
Proporções globais e dentro dos grupos
Num grupo A há 30 falhas em 90 unidades; em B há 10 em 20. Calcula a percentagem de falhas em cada grupo e na amostra total. Explica por que comparar 30 com 10 dá uma impressão diferente da comparação dentro dos grupos.
Pista
Escolhe o universo de cada pergunta antes do denominador.
Solução
Em A, ; em B, . Globalmente, . A tem mais falhas em número absoluto porque tem mais unidades, mas B tem maior proporção. A percentagem global é uma média ponderada pelos tamanhos: , não a média simples das duas proporções.
Confere a tua resposta:
- Obtive 33,33% em A e 50% em B.
- Obtive 36,36% no total usando os tamanhos como pesos.
- Expliquei a diferença entre contagem e proporção.
Covariância e correlação
Cinco pares têm médias 3 e 5, soma dos produtos 90 e desvios amostrais 2 e 3. Calcula a correlação de Pearson.
Pista
Calcula a covariância antes de normalizar.
Solução
. Assim, . A covariância usa as unidades dos dados; a correlação é adimensional.
Erros frequentes
Não usar n em vez de n−1 num passo e desvios amostrais no outro.
Correlação zero
Para x = −2, −1, 0, 1, 2 e y = x², a correlação é zero. Pode concluir-se que não há relação? Explica usando os pares.
Pista
Desenha os cinco pontos.
Solução
Não. Cada y é determinado por x². Os termos de covariância para x opostos cancelam-se, dando r=0. Pearson resume uma relação linear; o diagrama revela a relação curva.
Confere a tua resposta:
- Identifica a relação determinística em forma de parábola.
- Explica que os produtos centrados de x com y se cancelam por simetria.
- Distingue ausência de associação linear de ausência de relação.
Erros frequentes
Não interpretar r=0 como prova de independência.
Conservar os pares
Quatro pares são (1,2), (2,4), (3,5) e (4,9), com r aproximado 0,9648. Baralham-se os y para 9, 2, 4 e 5, mantendo os x por ordem. Calcula o novo r e explica o que aconteceu.
Pista
Os pares deixam de ser os observados.
Solução
Nos pares baralhados, a covariância é menos 1,6667 e r é menos 0,4385. Ordenar em separado troca os parceiros e inventa uma relação nova: a correlação passa de positiva a negativa e tem menor módulo. A covariância soma produtos de desvios do mesmo par, por isso exige os pares originais.
Confere a tua resposta:
- Calcula r aproximado 0,9648 nos pares originais.
- Calcula r aproximado menos 0,4385 depois de baralhar.
- Explica que a fórmula multiplica desvios da mesma unidade.
Erros frequentes
Não calcular a correlação sobre colunas reordenadas.