Erros e potência de um teste
Erros de tipo I e II, região de não rejeição e cálculo da potência numa alternativa concreta.
Uma regra de teste pode rejeitar uma média correta ou deixar passar uma alteração real. As probabilidades desses erros descrevem o comportamento do procedimento entre repetições do estudo. Não são probabilidades atribuídas à decisão já observada.
Dois erros diferentes
| Situação real | Rejeitar | Não rejeitar |
|---|---|---|
| verdadeira | Erro de tipo I | Decisão correta |
| Alternativa verdadeira | Decisão correta | Erro de tipo II |
O nível de significância controla a probabilidade de rejeitar uma nula verdadeira; para uma nula composta, o nível é um limite superior dessa probabilidade dentro da nula. Para uma alternativa concreta , é a probabilidade de não rejeitar quando esse valor é o verdadeiro, e a potência é .
Não existe um único valor de para todas as alternativas, porque detetar uma mudança pequena é mais difícil do que detetar uma grande. O valor-p observado também não fornece diretamente .
A região é escolhida sob a nula
Considera uma amostra normal, , , e o teste contra , com . O erro padrão é 1. Rejeitamos quando
O limite foi escolhido para dar 5% de rejeições quando ; para calcular a potência noutra média, conservamos a região e mudamos a distribuição usada na probabilidade.
Potência na média alternativa
Se a verdadeira média for 102, . O erro de tipo II é cair na região de não rejeição:
A potência é aproximadamente . A nula é falsa nessa alternativa, mas cerca de 36% das repetições não a rejeitariam.
Se n passar a 256, o erro padrão cai para 0,5. Mantendo , o novo limite é . Em ,
A potência sobe para aproximadamente 0,9907. O limite de rejeição mudou para conservar ; manter o limite antigo seria um procedimento diferente.
Teste bilateral
Se a região de não rejeição for , numa alternativa normal de média ,
Usa ambos os limites. Com a nula e amostra anteriores, mas alternativa bilateral, e . Em , e a potência é aproximadamente 0,5160. Em palavras, é a área da distribuição centrada em que cai dentro de , e a potência é a área restante fora desse intervalo. Distribuir pelas duas caudas torna mais difícil detetar este aumento do que no teste unilateral previamente justificado.
O que altera a potência
Mantendo o resto, aumentar n ou a dimensão real do efeito aumenta a potência, enquanto reduzir exige uma região de rejeição mais extrema e geralmente reduz a potência. Não se pode prometer simultaneamente menos erros de ambos os tipos sem recolher mais informação ou mudar condições do estudo.
Para planeamento de um teste unilateral à direita com conhecido, diferença positiva e potência pretendida , a potência pretendida exige . Como e o quantil de cauda esquerda é , precisamos de
Isolando n, obtemos
Por exemplo, para detetar um aumento de 2, com , e potência 80%, . Exige-se , logo 99 unidades. É um cálculo para esse efeito e esse modelo, não para qualquer alternativa.
Na figura, conserva a média alternativa 102 e compara a área de não rejeição sob essa distribuição. Os dois painéis usam a mesma escala horizontal: aumentar n concentra ambas as distribuições e aproxima o limite de rejeição da média nula.
Exercícios
Calibrar alfa e calcular potência
A média amostral tem distribuição normal e desvio 1. Um teste de contra rejeita quando . Calcula a probabilidade de erro de tipo I sob a nula, o erro de tipo II na alternativa e a potência nessa alternativa. Usa e .
Pista
Conserva a região de decisão e muda a média usada na probabilidade.
Solução
Sob a nula, . Na alternativa, não rejeitar significa , logo . A potência é . O mesmo limite 12 é usado nas duas probabilidades; muda o centro da distribuição. Alfa mede rejeições indevidas sob a nula, beta mede alterações que o teste não deteta nesta alternativa.
Confere a tua resposta:
- Obtive alfa 0,02275 sob média 10.
- Obtive beta 0,158655 sob média 13.
- Obtive potência 0,841345 e distingui os dois erros.
Mais dados mantendo α
Num teste normal à direita para a média com σ conhecido, alternativa fixa e α fixo, ao aumentar n explica o que acontece ao erro padrão, ao limite de rejeição em unidades da média e à potência.
Pista
O quantil padronizado conserva-se, mas a escala muda.
Mais uma pista
O limite à direita aproxima-se de μ0.
Solução
O erro padrão diminui. Num teste à direita, o limite aproxima-se de μ0 para manter α fixo. Sob uma média alternativa positiva fixa, uma parcela maior da distribuição cai acima desse limite, aumentando a potência. Conservar o antigo limite alteraria α.
Confere a tua resposta:
- Explica a redução de σ/√n.
- Recalcula o limite μ0+zασ/√n num teste à direita.
- Explica o aumento da potência na alternativa positiva fixa.
Erros frequentes
Não dizer que aumentar n reduz α quando o teste foi recalibrado para o manter.